10 de julho de 2026
Política

'Vamos dar um basta em tudo isso'

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Apenas um vereador, Leandro dos Santos (PPS), usou a tribuna livre na sessão legislativa de ontem para comentar, sem citar nomes, o desgaste pela qual a Câmara Municipal passa devido às denúncias de irregularidades que envolvem os vereadores Osvaldo Paquito (PPS), Walter Costa (PPS), Roberto Bueno (PTB) e José Humberto Santana (sem partido).

O discurso de Santos soou como indicativo do que poderá acontecer na sessão extraordinária de hoje, que discutirá e votará o pedido de cassação do mandato de Osvaldo Paquito.

“O eleitor está descrente de seu candidato. As omissões e cumplicidades nos são imputadas a toda hora por negligência de alguns. Vamos dar um basta em tudo isso. Esse é o momento adequado para fazê-lo. Chega de desmandos e de impunidades”, discursou o parlamentar.

O vereador, que é do mesmo partido de Paquito, o PPS, é conhecido pela sua discrição nas sessões legislativas. Usa pouco a tribuna. Compõe a bancada da situação, que dá sustentação política ao prefeito Nilson Costa (PPS) na Câmara.

Alguns vereadores viram com surpresa o discurso de Santos, que afirmou, da tribuna, que é preciso “resgatar a dignidade” do Poder Legislativo. “O momento para esse resgate é agora. É hoje, a fim de demonstrarmos à população a que viemos. Não devemos deixar este momento passar sem a nossa devida participação com toda coragem e sabedoria”, reforça o vereador.

Para ele, é “obrigação” de cada parlamentar “lutar” contra todo tipo de “má-conduta”. “A população merece nosso respeito e tem todo o direito em nos cobrar, sempre. O eleitor está descrente de seu candidato.”

No momento que usou a tribuna, o plenário do Poder Legislativo silenciou-se para ouvir Santos. “O povo clama por honestidade, por certeza, por respeito, por credibilidade. Vamos atendê-lo urgentemente”, pediu.

O parlamentar do PPS lembrou a seus colegas que o trabalho do vereador na Câmara deve ser transparente e sincero. “Assim, se reverterá a imagem negativa que temos diante da opinião pública.”

Para ele, cabe ao parlamentar defender, “a qualquer custo”, os interesses coletivos. “Não necessitamos de orientações conduzidas e individuais. Vamos continuar responsáveis pelos nossos atos. Resgatemos a nossa representação de homem público.”

O discurso do vereador é encerrado de forma contundente. “Deixemos que o povo continue falando e opinando, pois, notadamente, ao ouvirmos a população estaremos angariando e conquistando o seu respeito, o que nos fará trabalhar melhor. Lembremos mais uma vez: a voz do povo é a voz de Deus. Ouvi-lo é princípio de sabedoria.”