08 de julho de 2026
Geral

Estudantes tomam sala da Unesp

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 50 estudantes de diversos cursos ocuparam a sala 3 do câmpus da Unesp de Bauru. Eles reivindicam moradia estudantil, uma luta que persiste desde a encampação da extinta Universidade de Bauru pela universidade, em 1989, e foi batizado de “Eu quero uma casa no campo.”

O movimento impulsionado pelas entidades estudantis (diretórios e centro acadêmicos) foi deliberado em assembléia realizada no último dia 23, quando se iniciou a ocupação. A luta dos estudantes se arrasta há mais de dez anos e, segundo os líderes do movimento, o avanço maior foi o auxílio-moradia. “Com valores aquém da necessidade e meros acordos não cumpridos.”

Os estudantes prometem não aceitar qualquer proposta que não a efetiva construção dos blocos de moradia. “A Unesp de Bauru é composta por três faculdades. Somente na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação foram feitos mais de 250 pedidos de bolsas do Programa de Auxílio ao Estudante (PAE).”

Do total de pedidos, apenas 65 alunos estão sendo atendidos pelo auxílio. “A bolsa PAE concede apenas R$ 175,00 ao estudantes, valor muito abaixo do mínimo necessário para a manutenção dos aluno na cidade.”

Rodízio

A aluna de jornalismo da Unesp/Bauru e membro do comando de ocupação do movimento Yara Fernandes Souza explicou ontem que a sala 3 foi ocupada pelos alunos para tentar avanços nas negociações com o reitor. “Nós queremos moradia. No câmpus de Presidente Prudente também houve ocupação, porém, eles reivindicam mais um bloco, enquanto em Bauru não há nenhuma moradia.”

Ela explicou que o movimento conta com a adesão de cerca de 60 estudantes. “Estamos fazendo um rodízio. Todos os dias de 25 a 30 alunos ocupam a sala que virou uma moradia.”

Ontem, segundo a líder, o comando do movimento entregou um documento para a Congregação reivindicando a moradia. “Muitos alunos são oriundos da escola pública e não têm como se manter na cidade.”

Instrumento de luta

A administração local do câmpus da Unesp Bauru não tem nada contra a ocupação da sala 3. “Entendemos que é um instrumento de luta dos estudantes. Não vamos permitir que o movimento prejudique as atividades didáticas, mesmo porque a construção das moradias não depende de nós,” diz o diretor da faculdade de Ciências, professor José Brás Barreto de Oliveira.

De acordo com ele, o Conselho Universitário optou pelo auxílio-moradia, ao invés de aprovar a construção dos blocos. “Tanto que não temos um projeto, apesar de sermos favoráveis. O conselho não contempla Bauru com moradias.”

O professor diz que o Grupo de Administração do Câmpus (GAC) vai se reunir amanhã para se posicionar oficialmente sobre a ocupação.