08 de julho de 2026
Geral

Sem-terra podem ampliar ocupação em Bauru

Da Redação
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O grupo que invadiu no domingo uma área cuja posse pertence ao loteador Luiz Carlos Pagani, na região do Horto Florestal, pode ser ampliado nos próximos dias. “Temos 130 famílias aqui, mas o espaço é grande e capaz de abrigar 400”, informa o coordenador da subsede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Bauru, Paulo Vieira Lima. O Grupo Terra Nostra, responsável pela ocupação, é vinculado à entidade.

Lima explica que a chegada de novas famílias depende, porém, de alguns fatores. “Estamos praticamente sem leite e água potável. Enquanto não resolvermos essa situação, fica difícil trazer mais gente.”

As novas famílias viriam de acampamentos da região de Sumaré, mesmo local de origem de parte dos acampados no horto. “Também há gente de Bauru interessada em se juntar a nós.”

Ele afirma ainda que não há data prevista para que o grupo deixe o local. “Queremos negociar com o governo, pois ele precisa investigar as denúncias de que essas terras foram usadas para grilagem.”

Enquanto isso, as famílias tentam improvisar um acampamento no local, montando barracos com lona. A roupa está sendo lavada em um córrego que passa pela propriedade. “Nosso maior problema tem sido realmente a falta de água potável. Trouxemos alguns alimentos que arrecadamos quando estávamos em outro lugar”, afirma um dos acampados, Jurandir Amaral.

Tensão

Os acampados afirmam que cinco pessoas, entre elas Roberto Pagani, filho do proprietário da área, estiveram próximos do acampamento na manhã de ontem. “Eles começaram a tirar fotos e tentaram entrar aqui, mas nós não deixamos”, diz Cristriane Maria.

O sindicalista Paulo Vieira Lima acredita que o objetivo do grupo era intimidar as famílias. “Eles estavam armados e vieram em dois carros.”

Pagani confirma que tentou entrar na fazenda. “Eu queria fotografar o local para que esse material pudesse ser incluído no processo de reintegração de posse, mas desisti assim que eles disseram que não seria possível.”

Ele nega, porém, que estivesse armado. “Se tem essa situação ali, são eles. Esse pessoal está achando que vamos tentar resolver a questão na base da força, mas nós preferimos a via judicial.”

Os acampados acionaram a Polícia Militar, que enviou quatro viaturas para a fazenda no início da tarde. Os policiais fizeram uma varredura na área. “Não queremos que haja nenhum tipo de litígio entre as partes e por isso viemos até aqui averiguar a situação”, diz o capitão Wellington Luiz Venezian.

O major da Polícia Militar Pedro Batista Lamoso afirma que não há nenhum esquema especial de segurança para o local, mas que está atento aos acontecimentos. “Como se trata de uma área invadida, vamos fazer um patrulhamento constante nas proximidades da fazenda.”

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Reintegração

O advogado da família Pagani, Mário Trifillo, diz que pode ingressar ainda hoje com o pedido de reintegração de posse. “Estou preparando a documentação e assim que ela ficar pronta daremos início à ação.”

Trifillo afirma não ter nenhuma dúvida de que Luiz Carlos Pagani tem direito às terras. “Ele as comprou de herdeiros legítimos do terreno. Em 91, defendi um deles em uma ação movida pela antiga dona, a Fepasa, e nós ganhamos na Justiça.”

O advogado também negou as acusações de que a fazenda faria parte de um esquema de grilagem de terras. “O Pagani investiu muito dinheiro naquela área durante os últimos anos, construindo várias curvas de nível e uma casa de alvenaria. Ninguém gastaria tanto se fosse apenas um simples posseiro.”