09 de julho de 2026
Guerra no Iraque 2003

EUA atiram e matam 15 manifestantes

Agência Folha
| Tempo de leitura: 3 min

Bagdá - As tropas americanas no Iraque mataram pelo menos 15 pessoas e feriram outras 75 durante uma manifestação contra a presença militar dos EUA ontem em Fallujah, 50 quilômetros a Oeste de Bagdá. Os militares disseram que agiram após sofrerem disparos dos manifestantes.

O incidente - precedido pela morte de seis iraquianos horas antes em confronto com soldados americanos em Mossul (Norte) - acirrou as tensões antiamericanas no país e expôs a falta de domínio da administração provisória americana sobre a segurança.

Para amenizar o problema, o governo americano anunciou o envio de entre 3 mil e 4 mil soldados e policiais militares nos próximos dez dias para a região de Bagdá, sem dar mais detalhes. Hoje há cerca de 150 mil militares americanos no Iraque, sendo aproximadamente 12 mil na capital.

Em Bagdá, o Exército assumiu o controle da segurança, que era dos marines, porque teria melhor estrutura para policiar a cidade. Mas embora o fornecimento de eletricidade e água tenha sido restabelecido em cerca de 75% da capital desde então, saques e violência permanecem.

Segundo o general Glenn Webster, subchefe das tropas terrestres dos EUA no Iraque, a prioridade no momento é reunir membros da ditadura derrubada no último dia 9, autoridades civis e estudiosos para debater a questão da segurança na capital.

A empresa americana DynCorp, contratada por US$ 50 milhões no último dia 18, deve enviar 1.000 funcionários ao país no prazo de um ano para prestar consultoria na reorganização do sistema legal e policial. Testemunhas em Fallujah afirmaram que os soldados abriram fogo na manhã de ontem sem aviso prévio contra uma multidão desarmada, em meio a qual haveria crianças.

Ainda segundo os moradores da cidade, os disparos teriam perdurado por meia hora. Já os americanos dizem que teriam reagido após serem atacados a tiros. O tenente Christopher Hart afirmou que seus homens teriam matado entre sete e dez iraquianos após sofrerem disparos de dois homens com rifles.

Fallujah é vista como um reduto do Baath, partido do ex-presidente Saddam Hussein. Cerca de 150 soldados da 82.ª Divisão Aerotransportada estão abrigados em uma escola local. O protesto seria contra a presença deles na escola. Um advogado belga anunciou hoje que um grupo de 19 iraquianos deve entrar no próximo dia 13 com um processo por crimes de guerra contra o general americano Tommy Franks, comandante das tropas no Iraque.

Segundo Jan Fermon, que representa o grupo, a ação correrá sob uma lei belga de 1993 que aborda genocídios e atrocidades. O Departamento de Estado americano se declarou “preocupado” com a ação.

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Dois líderes são presos

Os EUA prenderam o ex-ministro do Petróleo iraquiano Amir Muhammed Rasheed, afirmaram autoridades americanas. Segundo o partido político Congresso Nacional Iraquiano, outro ex-integrante do governo de Saddam Hussein, Wlid Hamid Tawfiq, que era governador de Basra, entregou-se às forças dos EUA e estava sendo interrogado em Bagdá.

Os EUA agora detêm 15 dos 55 iraquianos mais procurados. O Comando Central dos EUA em Catar afirmou em uma nota à imprensa que Rasheed - cuja mulher, a microbióloga Rihab Taha, é mais conhecida como “Doutora Germe” - entregou-se ontem, mas não deu mais detalhes. Ele era o número 47 na lista dos mais procurados e o seis de espadas no baralho distribuído a soldados americanos no Iraque.

Em Bagdá, um porta-voz do CNI afirmou que Tawfiq, governador de Basra durante a ditadura de Saddam, entregou-se após negociações através de um intermediário. Segundo o partido, intermediários também estavam tentando negociar a entrega de outros fugitivos na lista dos EUA de iraquianos mais procurados.