07 de julho de 2026
Entrelinhas

Entrelinha


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• Sessão tensa

A primeira das quatro sessões previstas para a cassação de mandato de vereadores foi o que se esperava: tensa, cansativa e recheada de articulações de bastidores. Logo no início, às 9 horas, surgiu a primeira dúvida: ler ou não ler todas as 767 páginas do processo contra Osvaldo Paquito (PPS)?

• Sem brechas

O advogado de Paquito, Valdomir Mandaliti, concordou formalmente com a leitura somente de algumas peças. Mas os vereadores optaram por ler tudo temendo que a questão fosse levantada como “vício ao processo” em eventual recurso judicial posterior. Foram mais de 12 longas e tensas horas de uma leitura enfadonha, mas necessária.

• Última hora

À medida em que os vereadores avançavam na leitura de todas as páginas em plenário, a movimentação aumentava nas galerias e corredores da Câmara. O Executivo agiu, mas não a tempo de conseguir livrar o vereador do PPS. Nilson enviou à Câmara o assessor de imprensa Benedito Requena, o presidente do partido, Rubens de Souza, e o chefe de Gabinete, Antonio Marsola.

• Na véspera

Até Nilson Costa conversou com pelo menos um vereador por telefone, ontem. Na noite anterior, o chefe do Executivo já havia debatido a situação do vereador Paquito com Leandro Martins. Paquito reclamou que foi injustiçado, mas nem Nilson, nem o PPS deram qualquer declaração pública de apoio.

• Consciência

A mobilização da opinião pública e a consciência do dever dos vereadores não envolvidos em denúncias foram os fatores decisivos para evitar reviravoltas. Um ou outro com opinião mais volátil pode ter ficado em dúvida quanto ao que queria, mas prevaleceu o previsível. No final, apenas os que foram denunciados se solidarizaram com Paquito. José Humberto Santana deixou o plenário bem antes e não votou.

• Mal súbito

Santana (sem partido) não participou da votação de ontem porque apresentou um atestado médico por ter se sentido mal no início da sessão. Ele foi o autor da denúncia que levou aos processos contra Paquito, Roberto Bueno (PTB) e Walter Costa (PPS). Seu pedido de cassação é o próximo, no dia 6 de maio, terça-feira que vem.

• Na oposição

A nova vereadora da Câmara, Catarina Carvalho (PFL), que assumirá no lugar de Paquito, já começa dando todas as dicas de que será oposição ao prefeito Nilson Costa. Não se segurou e ontem comentou que, depois das CPs da Câmara, só ficará faltando a estréia do “novo prefeito”, Dudu Ranieri, presidente do PFL.

• Santa Catarina

Por uma dessas ironias do destino, ontem foi Dia de Santa Catarina de Sena, uma jovem que começou a ter experiências místicas aos 6 anos de idade e cresceu tendo visões de Cristo, de Maria e dos santos. Foi uma das mais habilidosas interlocutoras no jogo de poder do Vaticano, no século 14. Morreu jovem, aos 33 anos.

• Substitutos

Os suplentes dos próximos vereadores a serem julgados são: de Santana, Salvador Afonso (PDT); de Roberto Bueno, Paulo Agustinho (PTB); e de Walter Costa, Zito (PPS). Eles vão assumir se os três forem cassados.