11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Gasolina mantém indefinição em Bauru

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O “preço artificial” de R$ 1,859 que vigora em muitos postos de Bauru para o litro da gasolina comum levanta dúvidas sobre a definição do novo valor previsto para chegar ao consumidor até o final desta semana. O motivo é que o preço citado é conseqüência de uma situação temporária de disputa entre postos e distribuidoras de combustíveis.

Apesar do valor de R$ 1,859 estar sendo praticado em vários estabelecimentos, a real média de preços de acordo com o mercado é entre R$ 2,18 e R$ 2,21 - preços em vigor em outros tantos postos da cidade.

Levando em conta essa média, com a redução em torno de 4% a 5% que está sendo esperada para o consumidor final (sendo de 6,5% nas refinarias), a redução nas bombas ficará entre R$ 0,08 e R$ 0,10. Na prática, a nova média “real” na cidade para o preço da gasolina comum será em torno de R$ 2,10.

Contudo, nenhum empresário do setor se arrisca afirmar que é realmente isso que acontecerá em Bauru ou se a guerra de preços continuará deixando os valores finais na “corda bamba”.

De acordo com o empresário Edvaldo Tuschi, proprietário de sete postos de bandeiras Ipiranga, Texaco, Shell e Esso, todo esse cenário nebuloso é reflexo de uma situação “totalmente atípica” do setor de combustíveis em Bauru.

“Algumas empresas começaram a baixar os preços na bomba para aumentar o giro de clientes nos postos. Só que isso fez com que as outras companhias decidissem encarar a briga e bancar preços abaixo do custo para que os postos clientes também pudessem vender mais barato. Mas essa situação é muito delicada e só prejudica o mercado”, avalia Tuschi.

Com isso, as distribuidoras que “compraram a briga” pela disputa de clientes estão correndo o risco de sofrer uma ação judicial sobre prática de dumping (venda de produto abaixo do preço de custo, caracterizada como deslealdade comercial). Sobre isso, a reportagem entrou em contato com o Ministério Público Federal, mas o procurador Pedro Antonio de Oliveira Machado encontrava-se em Brasília.

“Esse valor de R$ 1,859 é totalmente irreal para o mercado. Os postos que estão praticando esse preço não podem baixar ainda mais. Então, certamente a redução de 4% a 5% que está sendo anunciada será sobre o valor anterior, que é o de mercado, em torno de R$ 2,20”, afirma Tuschi.

A previsão do empresário é de que os novos preços dos combustíveis em Bauru comecem a aparecer nas bombas por volta de sábado, ou até depois disso. “Mas até isso é difícil de prever, porque vai depender da quantidade de gasolina e diesel que cada posto ainda tem no estoque”, acrescenta.

Diesel

No óleo diesel a situação está “normal”. No momento, a média de preços em vigor na cidade gira em torno de R$ 1,48 a R$ 1,55. Com a redução prevista de 5% a 6% para o valor nas bombas, o novo preço para o consumidor será de R$ 1,41, na média.

O gerente de vendas de uma distribuidora que atua em Bauru, Sérgio Luiz Ferreira, diz que compartilha das avaliações feitas por Tuschi. “O problema é que essa redução de preços para disputar mercado tem resultado em prejuízo para as distribuidoras e, os postos, não estão lucrando nada”, observa.

De acordo com o economista Reinaldo Cafeo, a queda no preço do diesel é importante porque tem influência sobre toda a cadeia produtiva. “Isso deve reduzir o preço do frete para o transporte de mercadorias. Contudo, para ter qualquer reflexo sobre o preço final de alguns produtos demora de 90 a 120 dias”, avalia.

Já a redução, ainda que pequena, do preço da gasolina poderá aliviar em cerca de 0,13 ponto percentual a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fipe (IPC-Fipe). “Mas este reflexo também leva algum tempo. O principal resultado mais à frente é a possibilidade de se caminhar para a redução da taxa de juros. Mais isso depende da manutenção dos preços em baixa”, afirma Cafeo.