08 de julho de 2026
Cultura

Ah! O tempo...

Por Ercília Pollice | Especial para o JC Cultura
| Tempo de leitura: 3 min

Coisa que sempre me pôs a matutar, para usar um termo bem caboclo foi essa palavrinha chamada tempo. Algo tão abstrato. Não o vemos, não o tocamos, mas o sentimos. Ah! E como sentimos! O tempo é inexorável!

De certa forma, ele, como a morte, iguala todos os homens. Quem não morre, mais dia, menos dia, sente os efeitos do tempo. Mas, não é sobre esse tempo que quero falar hoje. Quero partir pra outro campo, o campo da metafísica. A física quântica, até hoje não nos deu, ainda, a certeza que queremos. Portanto, resta-nos nos conformar com a certeza que temos.

O tempo é o movimento do pensamento. Num piscar de olhos, passamos do presente ao passado. E tudo vem à nossa memória vividamente. E de verdade, nada mais existe. Também a um só tempo, podemos esquecer o presente e sonhar com o futuro, que nem sabemos se chegaremos lá.

Daí, dá pra concluir que só o presente é consciência, é real, é eterno. Se sua atenção está no passado, você não está vivenciando o presente, apenas levando a vida. Se você passa a viver sonhando com o futuro, não sei se chegará a tê-lo, realmente. Se sua atenção estiver no presente, a intenção futuro se manifestará, pois o futuro é criado no presente.

Esqueça o passado, pois são apenas recordações, aceite o presente, é o que realmente você tem, e deseje o futuro. O futuro é desejo. Já disse alguém que os sonhos engravidam o desejo, e eu completo que a intenção é o poder que move o desejo. A intenção, por si só é muito poderosa, diz Chopra, porque é o desejo desvinculado do resultado.

E ele ainda nos ensina a termos uma intenção vinculada à lei do distanciamento. A intenção e o distanciamento combinados levam à consciência do momento presente centrado na vida. Alerta então: atenção no presente e intenção no futuro. Só usando a primeira premissa criaremos o futuro. O futuro é criado no presente!

Diz a filosofia oriental, a nos dizer que muitas vezes precisamos nos distanciar dos alvos para chegarmos onde queremos. Ou seja, quando deixamos de querer, e nos alegramos no que temos, passamos a ter todas as coisas. Esse tempo da consciência pode ser nosso aliado, ou nosso inimigo mortal.

Precisamos nos abrir para o eterno campo das possibilidades, experimentando - se como forças abstratas, sejam elas de luz, calor, eletricidade, magnetismo ou gravidade. Estas forças não estão nem no passado nem no futuro. Elas simplesmente existem. Precisamos aprender com o universo, quando nossa concentração está nestas forças, livre do peso do passado, a ação no presente torna-se um terreno muito fértil para a criação do futuro.

Donde concluo, que o certo é desejarmos muito, ardentemente, sem deixar de vivenciar densamente o presente. Pode não ser tudo o que pedimos ou queremos, mas é o que temos! Como diz a palavra de Deus sabiamente: “Basta a cada dia o seu mal”. Sabemos de cor, que não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe! Viva o hoje, ainda sem guerra! (Escritora, poeta e colaboradora do Ju Machado -Escritório de Arte)