08 de julho de 2026
Regional

Falta de cinto traseiro vai gerar multa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Passageiros dos bancos traseiros são responsáveis por 98% das infrações por falta do uso do cinto de segurança. A falta de conscientização e de hábito no uso do equipamento tem causado mortes na região. Por isso, a Polícia Rodoviária desencadeou uma campanha de orientação e autuação para reverter o quadro.

Um estudo sobre as causas de acidentes graves ocorridos no trecho Bauru/Agudos, no início deste ano, mostrou para a Rodoviária que duas mortes poderiam ser evitadas se os passageiros dos bancos traseiros estivessem usando cinto de segurança.

Os corpos foram arremessados para fora dos veículos e os ferimentos foram irreversíveis. As mortes causaram estranheza para o grupo que estuda as causas de acidentes em Bauru e região, afinal a rodovia Marechal Rondon, que liga Bauru a Agudos é pista dupla e não tem trechos tão críticos para que ocorram acidentes dessa gravidade.

O uso do cinto de segurança para todos os ocupantes de um veículo é obrigatório desde 1988, garante o comandante da base operacional de Agudos, sargento Elias Lourenço Carneiro. “A filosofia da Polícia Rodoviária é preservar a vida e, em função disso, decidimos intensificar a fiscalização.”

Na rotina do trabalho, segundo o sargento, não é raro encontrar veículos com até três anos de uso que ainda conservam o lacre de fábrica nos cintos de segurança do banco traseiro. “Muitos passageiros alegam desconhecer a obrigatoriedade do uso do equipamento no banco de trás. “A responsabilidade é do condutor, que poder ser autuado”, explica.

A finalidade do equipamento, esclarece o sargento, é reter os ocupantes no interior do veículo. “Reduzindo os efeitos danosos provocados pela força do impacto ou o arremesso para o lado externo.”

Incêndio e afogamento

Uma das alegações mais comuns dos passageiros que não utilizam o equipamento são referentes aos incêndios e afogamentos, segundo o sargento. “Eles alegam que se o carro incendiar eles morrerão carbonizados. Ou que se o carro cair num rio eles não terão tempo para soltar o cinto e nadar.”

Para ambas as desculpas, os patrulheiros contra-argumentam. “Esses dois tipos de acidentes representam menos de 1% nas estatísticas totais da Polícia Rodoviária. Tanto em incêndio como em afogamento, 90% das vítimas conseguem soltar o cinto. Exceções ocorrem se a pessoa ficar presa nas ferragens.”

Passageiros sem cinto

Noventa e oito por cento das autuações feitas nos meses de fevereiro e março de 2003 por falta de uso do cinto são referentes aos passageiros. Só 2% das autuações estão relacionadas aos condutores. “Os motoristas já estão habituados.”

Não usar o cinto de segurança é uma falta considerada grave pelo Código Brasileiro de Trânsito e cabe multa estipulada em R$ 127,69. O condutor, segundo Carneiro, é responsabilizado com cinco pontos negativos na Carteira Nacional de Habilitação, caso algum dos ocupantes esteja sem o equipamento.

Os feriados prolongados são dias de grande número de autuações, avisa o sargento. De acordo com ele, os passageiros saem em viagem e esquecem de usar o cinto. “Nos feriados aumenta muito o número de autuações por falta do uso do cinto, especialmente, dos passageiros.”

Criança no banco traseiro

As crianças com menos de 10 anos devem ser transportadas no banco traseiro, explica o sargento. “Em assentos adaptados. Se a mãe estiver com a criança no colo, ela deve estar presa ao cinto. O bebê deve estar preso no cinto da sua cadeira e a cadeira fixa no banco do veículo”, explica.

Nos carros mais modernos, com air-bags no banco traseiro, os pais devem tomar o cuidado de não colocar a criança muito perto para que o equipamento não a sufoque, em caso de acidente, recomenda o policial.

Usar cinto de segurança de maneira incorreta também é prejudicial, frisa Carneiro. “O jogador Dener morreu porque dormia no banco reclinado do passageiro. O cinto ficou fora de sua posição normal e acabou pegando em seu pescoço.”

De acordo com o sargento, vale ressaltar que em uma colisão traseira, em que os passageiros estão sem o cinto de segurança é grande a chance de morte do condutor. “Os passageiros do banco traseiro são arremessados para a frente e esmagam o condutor. Com a criança no colo da mãe que não está presa ao equipamento, pode ocorrer o mesmo. A criança pode ser esmagada no para brisas.”

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Esqueceu de verificar

Nesta semana, o motorista Ivo Correia de Matos viajava de Lins para São Paulo na companhia de mais duas pessoas. Quando foi surpreendido pela fiscalização. “Nós paramos para comer e a passageira esqueceu de colocar o cinto. Eu confesso que esqueci de verificar.”

O condutor admite que conhece a lei e sabe que é obrigatório o uso do equipamento em todos os passageiros. “Eu agradeço a orientação do policial. Temos que preservar a vida.”