Diz a lenda que um coelho inconformado em perder uma corrida para a tartaruga resolveu ir à forra, ao saber que havia várias tartarugas em pontos estratégicos do trajeto. Assim, quanto mais corria, sempre havia uma a sua frente. Furioso com a descoberta, formou uma comissão fiscalizadora e após alguns debates chegou à conclusão que deveria haver uma revanche: caso o réptil não aceitasse, iriam quebrar todo o seu casco, aceitando e perdendo a corrida: igual destino. O grande coelho branco, sangue azul, queria porque queria pegar a tartaruga. Todos reunidos formavam um grupo de vinte e um coelhinhos, enfileirados e marchando, saíram pela floresta à caça do quelônio, cantando o jingle predileto: - Dim-dim, dim-dim, sessão extra vem n’mim. Após muito caminhar e cantar encontraram o “bichinho” próximo a um riacho, rapidamente o cercaram e o coelhão exclamou: - Tartaruga! Desta vez você não escapa, somos vinte e um, vamos vigiar todos os seus passos... Vamos correr... eu corro e os demais vão ficar de olho em você, agora eu quero vê! A tartaruga, com ar de deboche, não perdeu a oportunidade em dar uma raquetada: - Vinte e um é...! Vinte e um não é muito, não. Tenha clemência, Santo Agustinho! O coelhão que já estava furioso irritou-se ainda mais com a sutileza: - Ou corre ou perde o casco agora. O olhar sisudo do coelhão deixou claro que não estavam ali para brincadeira e percebeu o perigo que estava correndo, era preciso salvar o casco, com toda a calma que lhe é peculiar não se desesperou: - Ôôô... seu coelhão! Ganhei de você uma vez e vou ganhar mais duas... ganho de você na água e na terra... Tá vendo aquele riacho ali... Vou a nado e você por terra, depois iremos por terra... Ganho nas duas! A coelhada toda sorriu e num breve plebiscito aceitou o desafio. Lentamente a tartaruga entrou na água, quando se sentiu segura preparou o mergulho, antes porém, lançou um olhar matreiro para os coelhos e bradou: - Fuuui! E a tartaruga escapou. (Elias Brandão - RG 526.516)