Foi em 9 de julho de 1936 que um grupo de amigos resolveu enfrentar uma aventura nas águas do rio Batalha. Naquele tempo, narra Argemiro de Andrade Guedes, nos seus 91 anos de vida ao lado do rio, o Batalha era berço de grandes peixes. “Apesar da minha preferência pelos peixes pequenos, como o lambari, vi muitos dourados nas águas do rio Batalha.”
Morador de Piratininga, Argemiro, o irmão Waldomiro de Andrade Guedes, 87 anos, e os amigos Mário Torniolo e Rubens Galvão, já falecidos, escolheram o feriado de 9 de julho para se “embrenhar” nas margens do Batalha.
“Nos preparamos para o passeio. Levamos até uma winchester, carne para o churrasco e seguimos”, relembra com perfeição. “Saímos cedinho e seguimos para a ponte de madeira. Naquele tempo, o rio tinha muita água e até formava um poço próximo à ponte, de onde os mais corajosos saltavam para o rio”, conta. “Hoje, no mesmo local corre apenas um fio d’água”,comenta Argemiro.
Com um bote de madeira, os quatro amigos decidiram fazer uma descida de quase três quilômetros pelas águas do rio Batalha. “Era fundo, não dava pé. E como não havia remo, nós levamos o bote no varejão... A gente ia ‘bambuando’”, brinca Argemiro, fazendo relação à vara de bambu com a qual conduziam o bote.
Os amigos seguiam em busca de aventura, lazer e um pouco de tranqüilidade à beira do rio. Esses apaixonados pelo rio Batalha, sentem saudade daquele tempo em que os peixes corriam à vontade e davam prazer aos pescadores mais dedicados. Na tranqüilidade de Piratininga, eles se permitem uma viagem àquele tempo, onde havia animais, vegetação vasta e as corredeiras para enfrentar.
Ações pró-Batalha
Para acompanhar a preservação da bacia hidrográfica do rio Batalha, em 1996 foi criado o Fórum Pró-Batalha, que já desenvolveu três projetos na recuperação do rio. De acordo com a assessoria de imprensa da organização não-governamental, as ações atuam na plantação de matas ciliares nas regiões da nascente de Agudos, córrego São José, lagoa de captação do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru e na região do córrego do Ventura.
São mais de 180 mudas plantadas, com espécies como camboará, jequitibá, aroeira e ipê, o que possibilitam a recuperação de uma área estimada em 150 hectares na região da bacia, que abrange Bauru, Piratininga e Agudos.
O engenheiro agrônomo responsável pelo projeto e integrante do Pró-Batalha David Geraldo Pompei explica que em todos os projetos é feito uma manutenção pela entidade, o que corresponde ao plantio de aproximadamente 5% do total.
Para que os projetos tivessem êxito, a presidente do Fórum, Nilcéia Paes Lourenço, por meio de sua assessoria de imprensa, explica que foi necessário fazer contatos com os proprietários de fazendas. Isso porque o rio atravessa várias propriedades rurais e sem um entendimento com os proprietários, seria muito difícil dar andamento à recuperação.
Os projetos de reflorestamento têm duração de um ano e são desenvolvidos com recursos provenientes do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro).
O rio
O rio Batalha nasce na serra da Jacutinga (região de Agudos) e deságua no rio Tietê, percorrendo um trajeto de 167 quilômetros, passando pelos municípios de Bauru, Piratininga, Avaí, Duartina, Gália, Reginópolis, Agudos, Presidente Alves e Uru. De acordo com a assessoria do Departamento de Água e Esgosto de Bauru, atualmente a cidade é abastecida com 40% de água proveniente do rio Batalha. Sandra Faria, assessora de imprensa da autarquia, comenta que esse número já chegou a 60% nas décadas de 80 e 90.
“Naquela época, a população também era menor, mas busca-se alternativas de captação superficial, que é mais econômica, em outro rio. Os poços profundos são responsáveis pela maior parcela de abastecimento”, comenta. Ela explica também que o DAE tem apoiado as iniciativas do Fórum, no sentido de recuperar suas áreas.