09 de julho de 2026
Geral

Estudantes não têm previsão para desocupar sala de aula da Unesp

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os cerca de 50 estudantes que há uma semana se instalaram na sala 3 do câmpus da Universidade Estadual Paulista (Unesp) manterão a ocupação por tempo indeterminado. Eles, que reivindicam moradia estudantil, mantiveram a estratégia de pressão mesmo após a reunião com o presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC), José Brás Barreto, realizada anteontem.

“A reunião teve duas motivações: os dois documentos encaminhados ao GAC. Um explica a razão da ocupação e o outro reivindica o não-uso de medidas repressivas ao movimento, como o corte de bolsas, por exemplo”, informa o estudante de jornalismo e membro do Diretório Acadêmico Di Cavalcanti (Dadica) da Faculdade de Arquitetura Artes e Comunicação (FAAC), Alessio Esteves.

De acordo com ele, essa prática não é adotada pela direção do câmpus de Bauru, porém a Reitoria já teria se valido dela em outras unidades. “Vamos encaminhar à Reitoria documentos com conteúdo semelhante ao enviado ao GAC. Só ainda não definimos quando. Queremos pressionar o reitor”, ressalta o universitário.

Enquanto a estratégia de coação for a mesma, as aulas das dez disciplinas ministradas semanalmente na sala 3 permanecerão realocadas, embora o GAC discorde da ocupação.

“O Grupo Administrativo do Câmpus é contrário à ocupação da sala de aula porque traz transtornos. Além disso, não vai nos pressionar já que apoiamos a reivindicação dos alunos. O problema é que o Conselho Universitário da Unesp (instância máxima da instituição) não incluiu Bauru entre os câmpus que receberão moradia estudantil. Nem o reitor pode contrariar essa decisão”, esclarece José Brás Barreto.

Segundo ele, somente uma mudança na postura do conselho poderia resultar na construção das moradias. Para isso, dois terços dos seus membros, formado atualmente por 67 pessoas - entre reitor, vice-reitor, pró-reitores, diretores, professores e funcionários - devem aprovar a proposta.

“Um outro problema é que hoje os alunos não participam do conselho porque não existe diretórios em todos os câmpus. Se participassem, seria mais fácil”, conclui.

Desde que o conselho excluiu Bauru das unidades com indicação para moradia estudantil, há pouco mais de três anos, a universidade paga uma bolsa aluguel de R$ 175,00 aos estudantes carentes. Dos 250 pedidos de bolsa ao Programa de Auxílio ao Estudante (PAE), apenas 65 foram atendidos.

Por razões como essa, o movimento batizado de “Eu quero uma casa no campo” se arrasta desde a encampação da extinta Universidade de Bauru pela Unesp, em 1989. Neste ano, além da ocupação, os universitários ainda estudam outras maneiras de pressão.