08 de julho de 2026
Política

Braga desconhece convite a Nilson

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O ex-deputado Carlos Braga (PTB) informou ontem, através de sua assessoria, que em nível municipal não há conversações no seu partido sobre uma possível filiação do prefeito Nilson Costa (PPS). Ele desconhece o convite do partido que, segundo o prefeito, partiu da direção estadual da legenda.

O petebista garante, porém, que as especulações em torno do assunto não alteram seu projeto político de disputar a prefeitura nas eleições municipais do ano que vem. Ainda através de sua assessoria, Braga acha remota a possibilidade de dividir o espaço político do PTB com o grupo do prefeito Nilson Costa.

O assunto, no entanto, ainda repercute no meio político da cidade. O vereador Milton Dota Jr. (PTB) - inimigo político do prefeito - afirma que se Nilson realmente se filiar ao partido, deixará a legenda no mesmo instante. “A convivência com ele é insuportável”, alfineta.

Por outro lado, o presidente da executiva municipal do PPS, Rubens de Souza, tenta desfazer o projeto político de Nilson. “Estamos conversando. Vou provar a ele (Nilson) que é possível construir uma via viável para as eleições municipais do ano que vem. Acho que podemos ampliar a participação na administração. Talvez trazer o PTB para o governo”, insinua.

Rompimento

A situação também provocou o desabafo do vereador Edmundo Albuquerque (PPS). Pelas suas declarações, ele caminha para o rompimento com o grupo político do prefeito. O parlamentar afirma que apenas foi informado, pelo próprio Nilson, sobre a possibilidade da troca de partido.

“Não me foi perguntado se eu aceitaria seguir junto ou não”, comenta. Pela primeira vez, Edmundo faz críticas contundentes ao comportamento do prefeito. “Ele nunca teve uma discussão com o PPS sobre qual é o encaminhamento político que seria dado ao município. Ele nunca fez uma reunião para discutir qual é a prioridade da cidade”, critica.

A reclamação do parlamentar também serve para a atuação do prefeito junto à bancada de sustentação política na Câmara. “Nunca houve uma reunião com a bancada que desse a oportunidade de discussão do encaminhamento político do Executivo. Isso só ocorria no desespero, quando éramos chamados a ajudar a resolver problemas”, critica.

Nilson, porém, prefere não polemizar com o parlamentar. “Eu tenho o Edmundo como um dos melhores valores da nossa Câmara Municipal. Tenho procurado prestigiá-lo, mas a situação política em Bauru é difícil”, avalia.

O prefeito garante que sua decisão de analisar uma possível transferência para o PTB está totalmente desvinculada de especulações de desacertos com o PPS, seus vereadores e a bancada situacionista.

“Na verdade, eu tenho mágoa com a direção estadual do PPS. Percebo que o comando estadual do partido não dá a devida atenção para nós.”

Nilson também entende que chegou o momento de mudar seu rumo político. “Como há uma simpatia da direção do PTB, é o momento que entendo para uma mudança partidária. Mas repito: não tenho nenhuma mágoa da bancada do PPS. Sempre que solicitei, tive respaldo dela”, afirma.

Ele confirma que comentou o assunto com Edmundo, mas não poderia ter ido além disso porque ainda não há qualquer confirmação de filiação junto ao PTB.