A Diretoria Regional de Ensino de Bauru e a Secretaria Municipal de Educação terão que desenvolver projetos que atendam às determinações do Plano Nacional de Educação, criado em 2001. Ele estabelece diretrizes para o setor nos próximos dez anos e abrange desde a questão das verbas até a formação dos professores.
Na última terça-feira, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) lançou o Plano Estadual de Educação, que será encaminhado para a Assembléia Legislativa até outubro. A Prefeitura de Bauru terá que apresentar a sua proposta à Câmara Municipal.
O dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, defende a elaboração do plano. “O mais importante é que ele será feito com a ajuda da sociedade. O governo poderia simplesmente contratar uma empresa para fazer o trabalho, mas preferiu a participação mais ampla dos setores interessados na questão”, diz.
A secretária municipal de Educação, Isabel Algodoal, acredita que o projeto pode beneficiar os alunos de Bauru. “Ele criará diretrizes não só para a rede municipal, mas para a educação da cidade como um todo. Além disso, vai englobar todos os níveis de ensino, do fundamental ao superior”, explica.
Vieira afirma que as escolas da rede estadual que são vinculadas à Diretoria Regional de Ensino de Bauru já organizaram um primeiro debate. “Cada unidade discutiu individualmente o que pode ser feito. Nos dias 19 a 21 de maio, estaremos promovendo um encontro em que será escrito o plano regional, que fará parte do documento estadual.”
Ele explica que o processo terá a participação de vários segmentos. “No primeiro dia, vamos convocar professores, universidades, empresas e clubes de serviço. No segundo, queremos a presença das famílias e no, último dia, faremos a redação final. O objetivo é que todos se tornem responsáveis pelo que for elaborado”, frisa.
O dirigente afirma que fazer um planejamento para os próximos dez anos é o prazo ideal. “No sistema educacional, nada acontece rápido. É preciso um tempo maior para implantar as medidas.”
Vieira diz que São Paulo está em um estágio educacional mais avançado do que a maioria dos outros Estados. “Enquanto alguns deles estão tentando implantar a obrigatoriedade do ensino médio para os professores, nós já estamos discutindo a questão do mestrado.”
Comissão
A secretária Isabel Algodoal afirma que um grupo de trabalho está estudando a criação do Plano Municipal de Educação. “Montamos, há um ano, uma comissão com diretores e professores, que está atuando em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).”
Ela diz que ainda não há uma data para que o documento seja redigido. “Precisamos aguardar a definição do plano nacional, pois o nosso precisa estar em sintonia com ele.”
Algodoal explica que ainda há muito o que ser feito. “Nas fases seguintes, queremos estender a discussão para outros segmentos.”
A pedagoga e professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Ana Maria Daibem, diz que o planejamento é fundamental. “Não há como se pensar em educação sem que haja um projeto articulado entre municípios, Estados e o governo federal.”
Ela defende a participação da comunidade nos debates. “É um direito do cidadão e, do ponto de vista democrático, só contribui.”
Daibem afirma que as universidades podem contribuir para a elaboração do plano. “Elas têm um conjunto de dados que precisa ser colocado à disposição da sociedade.”
A vice-diretora do Centro do Professorado Paulista Neuza Aracy Costa Sampaio, acha positiva a criação de políticas educacionais a longo prazo. “Se formos analisar, dez anos até que é pouco. No Japão, eles planejam para as próximas cinco décadas. No Brasil, muda-se de um governo para o outro, muitas vezes apenas como forma de promoção pessoal.”
Ela diz que o ponto principal dos debates deve ser a valorização profissional. “Sem um plano de carreira, o professor não tem motivação”, alfineta.