Aproveitando o fato de minha filha estar morando (e casando) em Phoenix-EUA, fui para aquela terra passar “terríveis” 40 dias, que se transformaram no maior motivo de frustração de minha vida. Entre Phoenix, Las Vegas, Atlanta e San Diego, confesso que procurei defeitos, mas não consegui encontrar nada que merecesse atenção.
Não consegui entender, por exemplo, do que ou como são feitas as ruas de lá, pois não existem rachaduras, remendos, buracos ou quebra molas, que tanto nos atormentam por aqui. Parecem tapetes novos, retilíneos, onde apenas se escuta o barulho do motor, e não das peças chacoalhando no carro. E, de forma idêntica, são as calçadas, feitas de modo uniforme pelo poder público sem apresentar um mínimo defeito sequer. Apesar de Phoenix ser uma cidade com 4 milhões de habitantes, não encontrei lixo ou sujeira pelas ruas e calçadas, nem fezes de animais, nem banners pendurados por postes, imagens tão habituais em nosso cotidiano. A beleza das cidades é indescritível: não se vê um único muro pichado ou rabiscado, com as casas reluzindo pinturas novas e belas; viadutos e monumentos nem se fala, pois todos recebem tratamento como se obra de arte fossem, com mosaicos coloridos e pinturas texturizadas. As praças públicas são arborizadas, floridas e gramadas com esmero, como apenas vemos em casas de luxo com jardineiro particular. A máxima educação dos motoristas e transeuntes revela um senso exacerbado de civilidade e união. Mas, o apogeu do meu espanto foi ver passarelas sobre largas avenidas com escadas rolantes!! Sim, escadas rolantes nas vias públicas, sem qualquer custo adicional ao pedestre.
E, apesar de Phoenix ficar em pleno deserto americano, não existe falta d’água ou energia elétrica, além de não existir, em parte alguma da cidade, esgotos sem tratamento; não se lhe percebe a presença nem pelo cheiro, nem pela visão.
Posso afirmar que voltei frustrada; frustrada porque, em Dezembro, va-mos receber meu novo genro em Bauru e não poderei deixar de sentir vergonha do que temos para mostrar a ele: uma cidade suja, lixo pelas calçadas, todos os muros pichados, ruas esburacadas e remendadas, calçadas quebradas, praças públicas abandonadas, viadutos deteriorados e obras inacabadas. E depois ainda reclamam da visão inferiorizada que o americano faz do “resto” das Américas.
Tudo bem, lá eles têm esses governantes sisudos e prepotentes, mas temos que nos curvar, são competentes e justos no trato com as verbas públicas; aqui não, os nossos governantes são alegres e sorridentes, tão sorridentes que acham graça até mesmo da desgraça do povo, que de tão sorridente, sofre silente. Isso é que chamo de “vantagem” tupiniquim. (Alzira Garcia -OAB 38.049)