Bagdá - O general americano reponsável pela reconstrução do Iraque, Jay Garner, discutiu, ontem, os rumos a serem adotados pelo país em reunião com o líder curdo Massoud Barzani. O líder turco, que foi exilado do país no governo Saddam Hussein, viajou do Norte do Iraque, parte do país comandada pelo movimento curdo, para a reunião com o dirigente americano. “Eu e Barzani discutimos o futuro do Iraque, o começo do processo democrático, e o papel de liderança que ele e outros líderes iraquianos exercerão”, disse Garner.
Na quinta-feira passada, Zalmay Khalilzad, enviado especial do governo americano, já havia encontrado com Barzani e outros líderes políticos iraquianos que reivindicam espaço no futuro governo do Iraque.
Armas
O secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, afirmou ontem que os Estados Unidos terão de depender de informações de oficias iraquianos de baixa patente que faziam parte do governo de Saddam Hussein para comprovar a existência de armas de destruição em massa.
Ele também afirmou haver poucas chances de que as armas - cuja suposta existência foi o principal argumento dos EUA para iniciar a guerra - sejam encontradas sem ajuda. Ele descartou a possibilidade de os oficiais de alta patente darem informações úteis sobre sua existência.
“Eu nunca acreditei que fôssemos topar casualmente com armas de destruição em massa naquele país”, afirmou Rumsfeld ao programa de TV “Fox News Sunday”, fazendo ecoar as declarações que o presidente Bush havia dado no dia anterior. “Não estou de modo algum frustrado”, afirmou Rumsfeld à rede CNN, horas depois. O secretário da Defesa afirmou também não saber se o ex-presidente Saddam Hussein e seus filhos ainda estão vivos.
Para Rumsfeld, não importa seu destino, o fato é que eles estão fora do poder e não podem mais ameaçar os iraquianos. “Eles podem estar em um túnel em alguma parte ou escondidos em algum porão”, disse.
Rumsfeld afirmou que as armas de destruição em massa não serão encontradas facilmente no Iraque porque Saddam as escondeu dos inspetores da ONU. “Vamos encontrar o que encontrarmos como resultado de conversas com pessoas, e não apenas indo a algum lugar e esperar que encontremos algo.”
Questionado se algum oficial de baixa patente estaria cooperando, Rumsfeld disse: “Não temos nada de substancial para anunciar até o momento”. Colin Powell, secretário de Estado dos EUA, também demonstrou confiança de que evidências serão encontradas.
Powell desmentiu uma sugestão de que o arsenal do Iraque tenha sido superestimado. “Estou absolutamente seguro de que eles tinham armas de destruição em massa, e estou certo de que as encontraremos”, disse à rede de TV CBS. Reportagem da revista “Time”, que circula hoje, afirma que o governo dos EUA minimizou os danos causados pelo uso de bombas de fragmentação na guerra contra o Iraque.
Citando relatos de testemunhas civis e de membros da defesa civil de várias cidades, a “Time” diz que as conseqüências dos ataques foram mais graves do que dizem os EUA.
Segundo Abdoul Karim Mussan, responsável pela defesa civil de Karbala, seus homens recuperavam diariamente cerca de mil pequenas bombas fragmentárias em regiões que não eram consideradas como alvos pelas forças norte-americanas. Ali Iziz Ali, cirurgião-chefe do hospital Al Hussein, em Karbala, afirmou à “Time” que recebeu vários mortos que apresentavam mutilações provocadas por bombas de fragmentação.