08 de julho de 2026
Regional

Usinas aumentam produção de álcool

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O restabelecimento da proporção de 25% de álcool na gasolina - atualmente a mistura é de 20% -, anunciado recentemente pelo governo, animou os usineiros da região. Mesmo não sendo uma novidade, o anúncio foi recebido com bastante entusiasmo pelos empresários do setor. Muitos usineiros já aumentaram a área plantada para garantir uma produção maior.

Para o presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Francisco Paulo Brandão, a medida “é realmente interessante” para os produtores de álcool. Segundo ele, se assim não o fosse os usineiros não teriam se comprometido com o governo em não permitir o desabastecimento do produto no território nacional.

A volta dos 25% de álcool na gasolina foi confirmada na sexta-feira passada pelo presidente Luiz Inácio Lula da cana e os usineiros garantiram que não faltará álcool anidro (para mistura) no período da entressafra.

No início deste ano, foi preciso reduzir o percentual de álcool na gasolina para 20% com a finalidade de evitar o desabastecimento.

Com a antecipação do início da safra - de maio para abril -, o risco de faltar álcool está totalmente descartado, segundo afirmou Brandão. Por isso, na opinião dele, não há justificativa para manter o patamar de 20% na mistura. “A redução foi uma medida emergencial”, justificou ele. “Com o início da colheita da cana, a produção voltou ao normal”, disse.

Segundo Brandão, houve um aumento de 2 mil alqueires de área plantada na região, principalmente na zona rural de Boracéia, Iacanga e Bariri.

Essa expansão, de acordo com ele, faz parte dos planos dos produtores de cana de aumentar a produção de álcool em 1,5 bilhão de litros. Para Lula, o Brasil tem condições de dobrar sua produção de álcool combustível. No ano passado, os canaviais brasileiros produziram 6 bilhões de litros de álcool.

Além de garantir o abastecimento também na entressafra, esse aumento poderá representar mais emprego. De acordo com o presidente da Associcana, a cana-de-açúcar é uma das culturas que mais utiliza mão-de-obra. Segundo Brandão, os 2 mil alqueires plantados a mais na região significa a criação de aproximadamente 1.000 empregos diretos.

A exemplo do presidente da República, Brandão também aposta na retomada do Programa Nacional do Álcool (Proálcool) - extinto no fim dos anos 80.

Na opinião dele, a produção do álcool combustível é estratégica para a economia brasileira. A negociação com o Japão para a venda do produto para aquele país é um exemplo dos benefícios que o aumento da produção poderá trazer para o Brasil.

No entanto, Brandão lembrou que antes é preciso reconquistar a confiança dos consumidores.

Proálcool

Um dos motivos para o fracasso do Proálcool, na década de 80, foi a elevação do preço do açúcar no mercado internacional.

A perspectiva de lucro maior fez com que os usineiros diminuíssem a produção do álcool e passassem a investir com mais intensidade na produção do açúcar. Com isso, os proprietários de carros a álcool passaram a enfrentar sérios problemas com o desabastecimento.

Isso aconteceu em 1989, quando cerca de 95% dos carros eram movidos a álcool. “A partir daí, o programa perdeu credibilidade e o trabalho que teremos agora para recuperar a confiança dos consumidores será mais difícil”, prevê o presidente da Associcana, que participou da reunião entre os produtores de cana e o presidente Lula, na sexta-feira passada, em Ribeirão Preto.

Após o encontro, o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, disse que vai defender a redução no preço da gasolina em função do aumento da porcentagem de álcool no combustível.