10 de julho de 2026
Política

Salvador Afonso retorna à Câmara indefinido

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

O empresário e pecuarista Salvador Adelino Afonso (PDT), 57 anos, ainda não sabe se vai integrar a bancada da situação ou da oposição na Câmara Municipal. Ele vai assumir o mandato de vereador na sessão legislativa de segunda-feira. Homem simples e de pouco estudo - cursou apenas o antigo primário -, Afonso aproveitou-se do tino de comerciante para se transformar num dos maiores distribuidores de gás da região.

Mas sua atual atividade, aquela que faz com gosto, é embarcar num avião em Bauru e descer em Araguaína, no Estado do Tocantins, onde é proprietário de duas fazendas de gado. Ex-vereador por três mandatos (1983-1988/1989-1992/1997-2000), o pedetista também já se aventurou na disputa pelo Poder Executivo, em 1992, sem obter sucesso na investida.

Pouco depois de ser informado sobre a cassação de José Humberto Santana (sem partido), de quem é suplente, ele concedeu a seguinte entrevista ao Jornal da Cidade:

Jornal da Cidade - Qual é o sentimento que o senhor tem ao retornar à Câmara em pleno clima de cassações e de denúncias? Salvador Afonso - Veja bem, estou surpreso com o que está acontecendo na Câmara. Cheguei a ficar abismado com os acontecimentos. Sempre trabalhei honestamente, dignamente na Câmara. Tenho que reconhecer que outros companheiros também ajudam a Câmara a ser uma instituição que representa a população. Essa situação me deixa muito sentido e constrangido. É triste retornar numa situação dessa. Mas se for para colaborar e fazer um bom trabalho, como sempre fiz, é claro que retorno para auxiliar meus colegas. A cidade de Bauru passa por um momento decisivo. Para onde você vai, as palavras são aquelas que eu não gostaria de ouvir. Quem perde sou eu, a população e o progresso que não vem.

JC - Historicamente, a Câmara sempre foi dividida entre situação e oposição. Em qual lado o senhor deve se enquadrar? Afonso - Sinceridade, eu nem acreditava que o Santana (José Humberto) pudesse ser cassado. Então, nessas alturas dos acontecimentos, não tive tempo de fazer avaliações. Estou ouvindo muitos boatos. Tenho que, primeiramente, chegar lá, sentar e verificar como anda a posição do prefeito (Nilson Costa), o que está ocorrendo, enfim, ver os papéis. Não posso falar, hoje, que serei favorável ou contra o prefeito Nilson Costa. Não é dessa maneira. Vou ver, com certeza, o que é bom para Bauru.

JC - Mas o senhor tem conhecimento de que a administração municipal enfrenta uma situação de grave denúncia, que é o pagamento antecipado a fornecedor por mercadoria que ainda não foi entregue na totalidade? Afonso - Olha, eu acho que eu terei de verificar e fazer levantamentos para me por a par do assunto. Não estou aqui para brincar. Vou fazer um trabalho sério. Se tiver algo errado, vou sempre votar contra. Agora, o que é bom, vou votar a favor. Se o prefeito fez alguma coisa errada, ele vai ter de pagar. Se eu estou assumindo a vaga de um vereador que fez alguma coisa errada, não posso chegar na Câmara e ser bonzinho. Não é verdade? Vou voltar com tranqüilidade e consciência limpa. Depois que eu avaliar tudo, vou tomar uma posição.

JC - Embora seu afastamento da Câmara tenha ocorrido por contingências eleitorais, o senhor deve ter uma visão clara de como a cidade está atualmente. Afonso - Vejo hoje a cidade de Bauru muito cheia de buracos. A cidade está abandonada. Na minha região, Jardim Godoy, Parque São Geraldo, Vila Garcia, Santa Cecília, a situação não é diferente. Vou trabalhar por todos os setores. Essa sempre foi a minha visão. Vou continuar com meu trabalho. Tenho certeza de que é possível mudar a cidade.

JC - O senhor está filiado ao PDT há muitos anos. Na sua opinião, como deverá se comportar o partido nas eleições municipais do ano que vem? Afonso - Sempre fui fiel ao partido. Eu acho que o PDT, que está nas mãos do vereador Faria Neto, precisa, daqui para a frente, voltar a ser como era antes. Não estou dizendo que o Faria não está fazendo um bom trabalho, mas é preciso dar um balanço no partido para prepará-lo visando as eleições do ano que vem.

JC - Na avaliação do senhor, o PDT tem condições de lançar candidato próprio à Prefeitura de Bauru? Afonso - Hoje, acho que não. Mas se tiver possibilidade, por quê não? Também existe a possibilidade de coligação com outros partidos. Talvez seja o caminho mais certo. Tenho que conversar com todos os militantes e membros do partido.