Não posso concordar com a matéria publicada na respeitabilíssima Tribuna do Leitor do dia 1/5/03, de autoria do sr. Oliveiros Alberto de Castro, intitulada de “Jesus - Maria Madalena, Nilson Costa e a carne”.
Na matéria o autor procura estabelecer um paralelo na passagem bíblica de Maria Madalena com a esperteza do prefeito Nilson Costa, para culminar sugerindo perdão, o mesmo alcançado por Maria Madalena e proporcionado por Jesus.
Pois bem, Maria Madalena cedia seu corpo para ganhar o sustento seu e de seus familiares, enquanto o prefeito Nilson Costa de há muito vem deixando fluir normalmente a exploração e os desvios de recursos destinados a alimentação de nossas crianças. Não é mesmo?
São situações diferentes, enquanto Maria Madalena não voltou mais a pecar, Nilson Costa vem praticando o mesmo delito desde 1999, inclusive se valendo da impunidade da “CEI do patinho”, para dizer alto e a bom som que recebeu o título de honestidade, quando pagou o quilo da carne a R$ 4,72, quando em verdade era comercializado a R$ 3,15.
Não há que se falar que o homem da lei pretende o poder, os holofotes, os microfones e as câmaras de TV, muito menos falar em condenação sem prova, eis que a impunidade de outrora, ou seja, do processo n.º 082/99, enquanto tinha apurado um prejuízo na ordem de R$ 30.000,00, sofreu um acréscimo para o ano 2003 de R$ 330.000,00.
É bom frisar, com pagamento antecipado e sem receber o produto.
A persistir essa linha de pensamento devemos retirar a carne da merenda escolar, ou porque não se sabe administrar ou por falta de honestidade no procedimento.
Não posso concordar, sr. Oliveiros, ainda que seja para perdoar, pois caso contrário estaríamos sendo injusto com o colega de delito ao não postular também perdão para o Fernandinho Beira-Mar.
Isso não posso concordar, sob qualquer pretexto, com a incrementação da corrupção e a consagração da impunidade.
Devemos perdoar, sempre, mas não em casos como esses. (Rubens Spíndola - advogado)