Iacanga - A importação de alho vêm causando problemas para os produtores nacionais. Santa Catarina e Rio Grande do Sul, os maiores produtores do País, estimam perdas da ordem de R$ 50 milhões para este ano. Em Iacanga (45 quilômetros ao Norte de Bauru), produtores e importadores de alho também estão sentindo o problema.
No ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produziu cerca de 120 mil toneladas de alho, quase 19% a mais do que em 2001.
Esse total representa cerca de 55% do que o brasileiro consome de alho por ano, segundo o Instituto de Planejamento e Economia Agrícola de Santa Catarina (Icepa). O restante é importado, principalmente da Argentina, México, Espanha e China.
Como o alho importado acaba saindo mais barato do que o nacional, o excesso de importações causa prejuízos aos agricultores brasileiros, que acabam ficando com seu produto estocado. O aumento da oferta do produto no mercado também faz o preço cair.
De acordo com o importador de alho Vanderlei Boiani, de Iacanga, a caixa de 10 quilos do produto brasileiro é vendida aos supermercados a cerca de U$10,00. Comprando direto de produtores chineses, acabam pagando mais.
“Eles vendem a caixa a U$ 4,00. Com o dumping de U$ 4,80 e mais os impostos, dá quase U$13,00”. Ele conta que para pequenos importadores, no entanto, é mais vantagem comprar o produto de grandes importadores brasileiros.
“Eles entram com uma liminar na Justiça e acabam não pagando o dumping. Para eu comprar deles uma caixa de alho chinês, sai por menos de U$ 9,00”. Boiani explica que não vale a pena os pequenos produtores tentarem derrubar o dumping.
“Ia sair mais caro pra gente pagar um advogado e fazer o processo. Compensa comprar dos importadores maiores.”
Em relação aos produtores nacionais de alho, Boiani diz que resta produzir pequenas quantidades, para compradores especiais, como restaurantes e lojas especializadas. “O alho brasileiro é mais saboroso, mais picante. Mas o chinês é maior, mais bonito, e por isso vende mais. Principalmente nesse ano, a chuva na época da colheita fez o nosso alho ficar feio. Então, todo mundo foi atrás do alho importado.”
Já o irmão do importador, Ismael Boiani, que é produtor de alho, pensa que a qualidade do produto nacional só tende a aumentar.
“A safra deste ano foi prejudicada, mas os agricultores estão investindo, cuidando melhor, para aumentar a produtividade e a qualidade do nosso alho brasileiro.”
O produtor concorda que o alho chinês e o argentino são maiores e mais bonitos, mas afirma que as próximas colheitas nacionais devem trazer uma safra tão chamativa como as importadas. “Nós estamos produzindo um dos melhores alhos do mundo.
Com mais cuidado e algum investimento, o produto brasileiro vai ser o mais saboroso e também o mais bonito.”