08 de julho de 2026
Turismo

Rota das montanhas

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

A melhor definição do Espírito Santo partiu do padre e entomólogo Jésus Moure: “um mosaico”. Encravado entre o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia, é o lugar mais rico do Brasil em diversidade topográfica e climática.

Apenas 40 minutos separam o rico litoral da região serrana, onde as diferenças são intensas. Tanto no clima, na vegetação, quanto nos costumes, na colonização e nas características geográficas.

Ao pé da serra, praticamente saindo da Grande Vitória, o turista já vai sentindo as diferenças: precisará tirar o casaco das malas, trocar os chinelos por tênis e mergulhar num mundo que mais lembra as típicas cidades alemãs, com casas em estilo enxaimel ou italianas com cantinas pintadas de vermelho e verde.

É que todas as cidades do eixo foram colonizadas por imigrantes alemães, italianos, portugueses, libaneses e também suíços que se sentiram em casa, como nos Alpes, construindo suas vilas a altas altitudes. Como a vida era dura no início do século, muitos não agüentaram o tranco e partiram de volta às suas origens ou desceram Brasil abaixo rumo a São Paulo.

Os que persistiram - na maioria italianos e alemães (de Pomerode) fundaram as primeiras vilas da região montanhosa do Espírito Santo e espalharam por todos os cantos seus hábitos, costumes, religião e gastronomia. Neste item, vale um conselho. Quem está preocupado com calorias vai sofrer na Rota das Montanhas, onde ao lado dos queijos, dos bolos, das geléias e da polenta, reinam o einsbeim, o chucrute e o strudel de maçã.

Mas há um alento: como a região montanhosa é repleta de trilhas, cachoeiras e propriedades rurais, é só partir para a atividade física ou uma simples caminhada para queimar as sobras.

Em todo o trecho há belas paisagens e excelente infra-estrutura em termos de hospedagem. Como o clima na serra é sempre ameno - chegando a 5 graus no inverno e a 18 no verão, o gostoso é saber que se pode dormir sem a necessidade de ar-condicionado e ventilador.

Um clima mais que perfeito para que orquídeas, bromélias, primaveras e beija-flores se reproduzam aos montes e dêem ao lugar um aspecto único: um pedaço do País que pode se orgulhar de suas diferenças.

Esse roteiro é o mote na nova campanha empreendida pelo governo do Espírito Santo. Depois da Rota do Sol e da Moqueca, o Estado aposta na Rota da Montanha.

A meta é atrair e mostrar aos turistas um outro lado do Estado: o da tranqüilidade do campo, das delícias dos cafés coloniais e da natureza intocada.

Isso tudo, claro, sem esquecer da beleza natural à beira-mar e da gastronomia, tão fortes em Vitória, porta de entrada do Espírito Santo.

Fazem parte da Rota da Montanha três municípios: Santa Teresa, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante.

Quem embarcar nessa viagem conhecerá, segundo a diretora do Departamento de Turismo de Vitória, Rosana Brandão Leal, a face rural do Espírito Santo.

Em meio a trilhas, cachoeiras, museus e orquidários, o turista pode conhecer a Pedra Azul, uma formação rochosa com 1.822 metros de altura, que muda de cor dependendo da intensidade da luz solar.

A pedra fica no parque do mesmo nome. A explicação para a mutação de cor vem dos liquens que ao longo de milhões de anos foram aderindo ao paredão liso da montanha. Em dias ensolarados, eles refletem o azul do céu e em dias nublados o verde da vegetação ao seu redor.

Visitar o Parque Estadual da Pedra Azul é, sem dúvida, um passeio inesquecível por suas piscinas naturais, bromélias, ar puro e clima agradável, assim como visitar todas as demais localidades da Rota das Montanhas.