09 de julho de 2026
Articulistas

Imprensa, a arma do povo


| Tempo de leitura: 2 min

Não fosse a imprensa, hoje nas muitas formas de jornalismo, o povo estaria indefeso. O Estado, mantido pelo povo e organizado para garantir a vida em sociedade, falha na garantia dos direitos do cidadão e, muitas vezes, pela ação desvirtuada de seus agentes se torna nocivo em vez de defensivo. Não encontrando nas instituições públicas o amparo de que necessita, o povo recorre à imprensa, que há muito vem sendo considerada o quarto poder, completando a tríade de Montesquieu – executivo, legislativo e judiciário. Esse conceito decorre da força de seu poder para fazer com que os fatos aconteçam, sejam modificados ou sejam impedidos de acontecer.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer que as reformas aconteçam ainda este ano. Como está prevendo que as propostas apresentadas ao Congresso irão receber muitas emendas e as discussões poderão se prolongar por muito tempo, pediu socorro à imprensa em reunião com 32 proprietários e dirigentes dos principais veículos de comunicação do país, solicitando que promovam um amplo debate com a sociedade. O objetivo é desenvolver um consenso entre a população sobre os pontos polêmicos e fazer o Congresso sentir qual seria a vontade do povo brasileiro, que pelas pesquisas do Ibope já se mostra bastante favorável às reformas.

Uma coisa que se observa na administração pública é que ela é reativa, isto é, ela funciona reagindo em vez de agir planejando, organizando, dirigindo e controlando, como é da essência da administração. E quem sacode a administração pública é a imprensa. Hospitais estão sem leito e pessoas estão morrendo por falta de assistência; estradas e ruas estão esburacadas e acidentes e mortes estão acontecendo; presos estão fugindo e pessoas estão sendo assaltadas e assassinadas; alunos não têm vagas, não têm transporte ou não têm merenda; funcionários corruptos saqueiam os cofres públicos, enfim, tudo vai acontecendo numa rotina que só é quebrada quando a imprensa denuncia. Aí todo mundo sai correndo para tomar providência.

E a fiscalização dos atos públicos? O Estado dispõe de órgãos e agentes especializados como o legislativo, os tribunais de contas e o judiciário. Mas entre eles, infelizmente, também existem os que desvirtuam a função e passam do combate à prática do crime. Aí só resta a imprensa, o que não significa que ela seja totalmente virtuosa, mas é a arma de que o povo dispõe para exercer o seu poder. Quando ela, por força de um regime discricionário, também é privada de liberdade, o povo fica indefeso, como aconteceu no Iraque, onde a maioria da população, formada pelos xiitas e pelos curdos, foi subjugada pela minoria dos sunitas de Saddam Hussein.

Não há imprensa livre sem democracia e não há democracia sem imprensa livre. A existência de uma depende da existência da outra e o povo depende da existência das duas. (O autor, Pedro Grava Zanotelli, é administrador e ex-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru)