O preço da gasolina comum em boa parte dos postos de combustíveis de Bauru caiu novamente, passando para R$ 1,799 por litro. O novo valor é decorrente de “promoções” feitas pelas grandes distribuidoras, que já haviam feito o litro da gasolina baixar para R$ 1,859 há cerca de 20 dias.
O JC apurou que grandes companhias - como Ipiranga, Shell e Texaco - estão vendendo gasolina a preços abaixo do considerado normal (cerca de R$ 2,10) para acompanhar os valores de uma outra rede de Bauru. De quebra, a união das grandes distribuidoras acaba por “estrangular” os postos de bandeira branca, ou seja, aqueles que não são exclusivos de determinada companhia, e os de bandeiras menores.
O preço de R$ 1,79 praticado em Bauru é quase R$ 0,35 mais barato que a média do combustível no País. De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o valor médio do litro da gasolina no Brasil é de R$ 2,134. Esse valor ainda é maior do que o esperado pela ANP após a redução de 6,5% no preço do combustível nas refinarias na semana passada.
Para o empresário Wagner Siqueira, que trabalha no setor de combustíveis em Bauru, a nova “promoção” das grandes companhias pode se configurar como dumping (venda de produto abaixo do preço de custo, o que é crime de concorrência). “Isso é suicídio”, diz o empresário.
Segundo ele, a gasolina está chegando aos postos a R$ 1,72, o que representa uma margem de faturamento média de R$ 0,07 por litro. “Essa mergem não consegue cobrir os custos operacionais do posto”, diz Siqueira. A margem considerada ideal por donos de postos varia entre R$ 0,25 a R$ 0,30 por litro.
O empresário também considera a prática das companhias uma “agressão ao mercado”. “As companhias entram no vermelho, bancam o prejuízo e dão R$ 0,07 para os donos dos postos bandeirados e, automaticamente, ‘matam’ os (postos) de bandeira branca”, aponta.
Mesmo com as “promoções”, há postos bandeirados em Bauru que mantêm a gasolina a preços elevados, como R$ 2,249. Isso porque, segundo Siqueira, o empresário tem a opção de não querer comprar gasolina a preços promocionais e ver suas vendas declinarem. “Você tem opção: se quiser entrar (na promoção), entra. Se não quiser, seu preço vai lá para cima e você fica fora da guerra”, afirma.
Em outro posto de bandeira Texaco de Bauru, a gasolina se mantinha num “meio-termo”, a R$ 1,999. De acordo com o proprietário do posto, que não quis ter seu nome divulgado, a empresa não conseguiria sobreviver com a margem de R$ 0,07 por litro. “Não tenho como fazer isso”, diz.
A suposta prática de dumping pelas distribuidoras de combustível em Bauru está sendo acompanhada pelo Ministério Público Federal (MPF) desde a promoção anterior, que baixou o preço da gasolina para R$ 1,859 em grande parte dos postos da cidade.
Ninguém da diretoria do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) de Bauru foi encontrado para comentar o assunto.