Em julho, durante as férias escolares, 20 alunos que cursam o primeiro ano de medicina e enfermagem na Universidade Estadual Paulista (Unesp) participarão de um estágio voluntário no Hospital Estadual (HB) de Bauru.
De acordo com a diretoria do HE, nos 30 dias de aprendizagem, os estudantes farão um rodízio pelos serviços oferecidos pelo hospital. Acompanharão a dinâmica do ambulatório e da internação, por exemplo.
“O objetivo é motivar os universitários que, enquanto cursam as cadeiras básicas (os dois primeiros anos), ficam divorciados da Faculdade de Medicina. No segundo ano, o desânimo é evidente porque eles ainda não tiveram contato com um hospital ou com a prática médica”, explica o diretor clínico do HE, Antero de Miranda.
Segundo ele, os alunos de medicina fazem os dois primeiros anos no Instituto de Biociências da Unesp de Botucatu. Só depois, no terceiro ano, são assumidos pela Faculdade de Medicina.
“No Hospital das Clínicas de Botucatu, a dinâmica é muito intensa. O pronto-socorro, por exemplo, é um local que choca muito. Como no HE a dinâmica será grande, mas com pacientes em situação menos crítica, o estágio aqui é mais adequado”, ressalta o diretor.
Alojamento
Miranda ainda explica que, durante o estágio voluntário, os alunos permanecerão acomodados num alojamento construído para os funcionários da empresa responsável pela obra do hospital, que atualmente passa por reformas para acolher os universitários.
O custo da alimentação dos estagiários será bancado pelo HE, enquanto a Faculdade de Medicina se responsabilizará pelo transporte. Os estudantes receberão certificado ao final do período de acompanhamento, acrescenta.
“O critério de seleção dos alunos será definido pelas faculdades. Acho que um dos papéis do HE é contribuir com o ensino. Pela facilidade, começamos pela Faculdade de Medicina de Botucatu, mas já fomos procurados por outras universidades. Quando o hospital estiver funcionando com capacidade máxima, voltaremos a conversar”, acrescenta o diretor técnico do HE, Carlos Alberto Macharelli.
O JC apurou que os critérios, a data e o processo de seleção dos alunos - 30 cursam enfermagem e 90, medicina - ainda estão sendo definidos, mas a idéia de estágio agrada tanto professores quanto alunos.
“Acho uma ótima oportunidade de aproximação com a atividade de medicina. É um estímulo”, diz Sara Luz aluna do primeiro ano de medicina. Ela garante que trocaria as férias pelo período de aprendizado.
Já a coordenadora do curso de graduação em enfermagem e presidente do conselho de curso da faculdade, Silvia Bocchi, defende que sempre é melhor antecipar o contato do estudante com a realidade profissional.