08 de julho de 2026
Auto Mercado

Gosto não se discute?

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 5 min

Existe carro de homem ou de mulher? Talvez seja impossível até mesmo para as próprias indústrias automobilísticas responder a tal pergunta tão subjetiva. Entretanto, um fato é inquestionável. Por conta das naturais e diferentes predileções de homens e mulheres na hora de adquirir um veículo, há determinados modelos que agradam - mais ou menos - os públicos masculino e feminino.

Um dos que concordam com tal raciocínio é o vendedor Manoel Roberto Martha Casério, da concessionária bauruense Vera Cruz/Mitsubishi. Para ele, enquanto as mulheres privilegiam a segurança, a versatilidade e a beleza, os homens são mais preocupados com as características técnicas. “Para elas, a aparência conta muito. Já eles levam bastante em consideração a mecânica do veículo”, ressalta.

Dessa forma, acrescenta Manoel, modelos com “cara” mais feminina seriam as sport-utilities e as caminhonetes encaixariam-se no “jeitão” masculino. Prova disso, conforme o vendedor, é que 70% dos negócios com a Pajero TR4 são feitos com mulheres, proporção semelhante com a picape L200 no caso dos homens.

O gerente de vendas da Chevrolet/Amantini, Fernando Vieira de Mello, é outro que confirma as diferentes tendências entre os sexos. Ele afirma que as mulheres priorizam o design, ao passo que os homens consideram os itens técnicos e econômicos. “Elas compram mais com os olhos e com a emoção, enquanto eles são mais frios e racionais”, define Fernando.

Tais diferenças comportamentais também refletem-se nas predileções pelos modelos. Segundo Fernando, as minivans são carros que agradam mais as mulheres e os hatchs e sedãs são os preferidos entre os homens. “Além de serem veículos voltados à família, os monovolumes possuem um design que chama a atenção delas”, explica ele.

Fernando exemplifica seu raciocínio criando uma situação hipotética. “Se colocarmos um Astra sedã e uma minivan Meriva lado a lado e com preços praticamente iguais, 80% dos homens optarão pelo primeiro e 80% das mulheres pelo segundo”, destaca.

“Queda-de-braço”

Quem comprova as declarações do gerente é a auxiliar oftalmológica bauruense Andréa Ozório Caravvatto. Ela conta que sua vontade era adquirir uma minivan Meriva, desejo diferente de seu marido, que sonhava adquirir um Astra. E, para azar do esposo, ele ficou apenas no sonho.

Ao final da “queda-de-braço”, Andréa levou a melhor e, em comum acordo com o marido, acabou comprando o monovolume que ela “babava” desde seu lançamento. “No fim a gente se entende. Ele é fã de carros mais clássicos, como os sedãs, e não admirava veículos desse segmento. Mas, depois que começou a andar nele passou a gostar”, afirma ela.

Além disso, ela também levou vantagem em um detalhe: tinha de ser da cor preta. “Ele queria prata e eu preto, pois quando vi uma igual rodando pela rua me apaixonei. Além disso, o carro fica mais chique”, considera Andréa.

Para a auxiliar, as mulheres tendem a apreciar mais veículos espaçosos e confortáveis. Entretanto, Andréa enfatiza que avalia tudo antes de se decidir pela compra de um veículo. “Desde a aparência, conforto, estabilidade e o design. Também faço questão de pesquisar os diferentes modelos de várias marcas e segmentos”, garante.

Ao comentar os motivos que levaram o casal a optar por uma minivan, ela justifica que tais automóveis constituem uma tendência moderna. “É um carro versátil, econômico e fácil de dirigir que propicia grande visibilidade e conforto ao motorista e seus passageiros”, frisa Andréa. E acrescenta: “Também nos ajuda muito nas viagens e nas tarefas do dia-a-dia, como buscar os filhos na escola.”

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Eles não fogem à regra

Engana-se quem pensa que as diferenças entre os sexos não sobressaem-se tanto no momento da escolha de um carro. Elas são tão comuns que difícil é encontrar um casal que não as tenha.

Não é o caso dos bauruenses Marcus Vinicius Sampaio e Lara Fernanda Sampaio. Ele, advogado, e ela, professora, possuem dois carros diferentes justamente porque seus gostos são completamente opostos em relação aos automóveis.

Enquanto Marcus analisa prioritariamente a relação custo/benefício, o conforto e a segurança que eles oferecem, Lara aprecia, principalmente, a beleza e o tamanho, mas sem esquecer também do nível de proteção e do espaço interno. “Gosto de carros pequenos, pois são mais fáceis para estacionar e circular com fluência no trânsito”, considera Lara, proprietária de um Mercedes Classe A.

Demonstrando que as diferenças podem ocorrer até mesmo entre pessoas do mesmo sexo, a professora ressalta que algumas amigas são fãs de veículos grandes. E, apesar de enxergar vantagens no fato de contar com dois carros, não abre mão do seu “pequenino”. “Para mim, ele é ideal”, enfatiza Lara.

Definindo-se como um admirador de veículos com espaço interno generoso, Marcus salienta fazer questão de verificar os mínimos detalhes antes de dar o “veredito” em uma compra. “Pesquiso bastante e vejo as oportunidades de negócio que o mercado oferece, além de estudar o peso de itens como seguro e IPVA”, argumenta o advogado. “Ele é detalhista”, confirma Lara.

Rubens de Souza e Ana Maria Godoy de Souza é outro casal bauruense que também concilia, com sucesso e, especialmente, sem brigas, as predileções distintas pelos carros. Ana sempre levou em conta o design e a aparência externa dos autos, ao passo que Rubens preocupa-se mais com o conforto, características mecânicas, beleza e até com a tradição da marca do veículo.

Por isso, a solução encontrada foi adquirir automóveis diferentes, que se adaptaram às necessidades familiares. Para rodar no dia-a-dia a escolha recaiu em um Corsa sedã, modelo dos “sonhos” de Ana. “Sempre gostei dele, principalmente por sua aparência”, afirma ela.

Já para as viagens, situação em que o espaço interior pesa mais, a opção foi por um Renault Scénic, o preferido do “maridão”. “É um carro funcional e que deu certo para a família, pois além de ser multiuso é confortável e tem boa capacidade de bagagem no porta-malas”, explica Rubens.

Eles também são unânimes em apontar, na hipótese de precisarem desfazer-se de um de seus carros, qual seria o preferido para permanecer na garagem: o monovolume. “Ele nos ofereceria mais vantagens”, resume Ana, ao lado do marido.