09 de julho de 2026
Regional

ETE de Jaú entra em fase de testes

Por José Henrique Teixeira | Jornal da Cidade de Bocaina
| Tempo de leitura: 6 min

Jaú - A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Jaú (55 quilômetros a Leste de Bauru) está desde o último dia 23 em fase de testes. O engenheiro Paulo Azuaga Ayres, da Saneamento de Jaú S/A (Sanej) disse que a estação já está pronta, antes do prazo previsto, que era de três anos e venceria em junho. Segundo ele, após os testes, que estão sendo feitos com a água do rio Jaú, ela entrará em operação. Isso deve acontecer ainda no mês de maio.

“Já estamos bombeando água da EE-3 (Estação Elevatória 3), localizado na avenida Julinho de Carvalho, para a fase de testes das bombas e equipamentos. Em seguida, será lançado o esgoto e começa a operação do sistema”, disse Azuaga.

As obras para o tratamento do esgoto em Jaú começaram em junho de 2000, quando a Sanej, uma empresa da holding multinacional Earth Tech, iniciou a instalação da rede com 14 quilômetros de interceptores de esgotos, nas margens do rio Jaú e do córrego do Pires, com tubos de 25 mm a 750 mm de diâmetro. Posteriormente foi incluído também o córrego Jataí, que capta esgotos dos jardins Nova Jaú, Padre Augusto Sani, Odete, Santa Helena, Sanzovo, dentre outros.

A empresa tinha prazo de três anos para a conclusão das obras e, após a iniciar as operações, o que deve acontecer nos próximos dias, terá 22 anos para a exploração do serviço, mediante contrato de concessão firmado com a Prefeitura de Jaú.

Conforme Paulo Azuaga, foram investidos R$ 22 milhões nas obras que compreendem, além da rede de interceptores de esgoto, seis estações elevatórias e a estação de tratamento propriamente dita, que fica numa área de 37 mil metros quadrados.

“Esta é uma obra de primeiro mundo, com tecnologia de primeiro mundo, totalmente automatizada. É a primeira Estação de Tratamento de Esgoto no Brasil com essa tecnologia”, diz Paulo Azuaga.

Segundo ele, a multinacional Earth Tech tem 200 estações de tratamento de esgoto no mundo, inclusive na China. Ele garante que quando a ETE estiver em operação, o rio Jaú e os córregos dos Pires e Jataí não terão mais esgoto. Numa próxima etapa, conforme o engenheiro, serão colocados também interceptores no córrego da Figueira.

Como funciona

O sistema de tratamento de esgoto que será feito pela ETE de Jaú é, conforme explicou Azuaga, o de batelada por lodo ativado. “Esse sistema remove de 94% a 98% da carca biológica”, diz. Pelo sistema, o esgoto entra na estação e passa por três válvulas, que fazem a distribuição para os três tanques existentes, com 6 mil metros cúbicos cada um.

“Na primeira hora, as bactérias são ativadas no primeiro tanque. Na segunda hora é aberto o segundo tanque, enquanto o primeiro começa a aerar os dejetos. Na terceira hora, o primeiro pára de aerar, continuando o segundo, enquanto o terceiro tanque recebe o esgoto e uma hora depois começa a aeração”, explicou.

A aeração é feita para manter vivas as bactérias “que comem o esgoto”. Essa aeração é feita pela “casa dos sopradores”, com oito equipamentos que fornecem o ar para os tanques. São eles que mantêm as bactérias nos tanques de tratamento e nos tanques digestores.

Após os testes com água, a ETE vai receber em seus tanques o lodo ativado, que virá de outra estação, com uma colônia de bactérias. Estas irão se proliferar, consumindo o material biológico do esgoto nos tanques.

O que sobra é decantado no fundo do tanques, vira lodo, que vai depois de passar também por um processo de aeração, vai para o aterro sanitário. O que fica acima do lodo decantadado é a água limpa, que vai retornar ao rio Jaú.

Para fazer a aeração são utilizados os sopradores. São máquinas potentes, que produzem grande ruído e que só é possível entrar no galpão onde estão instaladas com protetores auriculares. São nove sopradores. Seriam necessários seis, dois para cada tanque, mas há um de reserva para cada tanque.

Inicialmente, a ETE de Jaú vai tratar 290 litros de esgoto por segundo.. Ao longo do período da concessão atingirá a capacidade de tratar 410 litros por segundo. Para se ter uma idéia de suas dimensões, o sistema elétrico da ETE, instalado pela empresa jauense GRS Eletricidade, tem capacidade de 1.560 KVA (Kilovolt Ampere), ou 1 milhão e 650 mil wats. Isso seria suficiente para atender 3 mil residências com cinco lâmpadas de 100 wats em cada uma.

Estações elevatórias

Ao longo da cidade onde passam os interceptores de esgoto foram construídas seis estações elevatórias. Elas são conhecidas tecnicamente pela sigla EE. Assim, existem a EE-1, EE-2, até a EE-6. A maior delas e a última antes da Estação de Tratamento é a EE-3, na avenida Julinho de Carvalho.

Os que moram próximos dessas estações temem que tenham problemas, como o mau cheiro, caso ocorra alguma pane no sistema.

O engenheiro Paulo Azuaga garante que isso não acontecerá. “As estações só param de funcionar se houver interrupção no fornecimento de energia elétrica pela concessionária. Neste caso, entram em ação os extravasores, que faz com que o esgoto retorne para o rio. Se isso acontecer, será por pouco tempo, como normalmente ocorre quando dos cortes de energia elétrica. As estações não reterão o esgoto”, explicou.

Ainda, conforme Azuaga, se não houver corte de energia, mas um pane em uma das bombas, a bomba reserva entra em funcionamento imediamente. “Cada elevatória tem bombas de reserva, que se ligam automaticamente. As menores, que exigem som uma bomba, têm duas. A EE-3 (da rua Quintino Bocaiúva) e a EE-5 (da piscina municipal), têm três bombas cada uma. Já a EE-3 (da avenida Julinho de Carvalho) tem quatro bombas. Não existe como o sistema parar, a não ser por interrupção no fornecimento de energia elétrica”, enfatizou.

Os poços das estações, conforme Azuaga, não são para depositar esgoto parado. “Se isso ocorresse, aí sim teríamos o mau cheiro. Em movimento não há mau cheiro. Por isso é que se parar por falta de energia, o extravasor devolve o esgoto para o rio”, completou.

Completando o sistema, a ETE tem um dispositivo automático de retenção de areia, pedras e outros materiais sólidos que possam seguir pela tubulação do esgoto. Há uma grade de retenção, automatizada, que segura esse material, joga-o para outro tanque e depois ele vai para o aterro sanitário.

Não há uma data marcada para a inauguração da ETE de Jaú. Embora ela deva entrar em operação ainda neste mês, depois dos testes que estão sendo feitos com água, a inauguração oficial pode ocorrer mais adiante. É provável que o prefeito João Sanzovo Neto escolha uma data mais próxima do aniversário da cidade, comemorado em 15 de agosto.

A proposta é marcar as comemorações dos 150 anos de Jaú com a entrega oficial do sistema que vai despoluir o rio Jaú, uma obra que desafiou várias administrações municipais e que agora está se tornando realidade, inserindo Jaú entre as cidades de primeiro mundo.