08 de julho de 2026
Cultura

Aulas e mais aulas

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar de alguns segmentos da sociedade bauruense se queixarem da falta de incentivo ou estrutura que beneficiem políticas culturais, a cidade tem grande capacidade para oferecer espaços voltados para a difusão artística. Um exemplo é a Oficina Cultural “Glauco Pinto de Moraes”.

Coordenada por Marcelo Graziani, a Oficina é responsável, além de Bauru, outras 43 instituições no interior paulista, atendendo cerca de 1.668 pessoas com seus cursos. Fundadas em 1989, as oficinas culturais do interior - 13 no total - são administradas pelo Departamento de Formação Cultural (DFC), um órgão da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo que é dirigido por Cláudia Costin.

Diferente do Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva”, que como órgão municipal é responsável por cuidar somente de atividades locais, a estrutura da Oficina Cultural segue um padrão estadual, no qual os recursos financeiros não circulam apenas em âmbito local, atendendo também às “A unidade de Bauru tem uma equipe de 14 funcionários, como produtores e técnicos cultural, além de funções administrativas prédio”, explica Graziani, que é formado em educação artística e desenho industrial.

Cursos

Tendo como objetivo fomentar atividades ligadas à área cultural, o principal enfoque da “Glauco Pinto de Moraes” são os cursos de especialização nas áreas de cinema, teatro, música, dança, literatura e artes plásticas.

Em Bauru e região, são 55 workshops direcionados à técnica de especialização, que tiveram início em março e vão até julho. As atividades compõem a programação cultural das oficinas, a qual é dividida em dois semestres.

“Procuramos trazer grandes expoentes culturais, como o José Mojica Marins, famoso pelo personagem Zé do Caixão; e o André Catel, que trabalhou na produção do filme ‘Carandiru’ e veio para ministrar uma oficina sobre maquiagem de efeitos especiais. Além deles, vamos trazer a Alzira Spíndola, para um curso sobre técnica vocal”, conta Graziani.

Além dos cursos, as oficinas culturais também contam com galerias de arte, auditório e equipamentos de informática. Na unidade de Bauru, a galeria “João Ponce Paz” funciona como um espaço alternativo para a realização de eventos artísticos, recebendo, a partir de terça-feira, por exemplo, , a exposição “Mandalas”, da artista plástica Regilene Sarzi.

Os grupos de música, dança e teatro também contam com um espaço para a realização de ensaios. Para o diretor da oficina, o auditório representa uma forma de incentivar a produção da arte local.

“Sempre que possível, nós cedemos o espaço do auditório para os grupos de corais, como o Arte Viva e o Louvarte. Além deles, existe uma orquestra de câmara infanto-juvenil que ensaia toda terça-feira aqui”, aponta.

Vocação

Sob a administração de Graziani há dois anos, a Oficina Cultural de Bauru ganhou características novas. Antigamente, a unidade procurava destacar atividades ligadas ao teatro e dança. Hoje, seu foco de atenção concentra-se em cursos voltados para a área de comunicação, como eventos que trabalham com a Internet, como workshops de edição e cinema digital.

Para ele, embora o diretor possua liberdade para escolher as atividades, a estrutura de cada unidade é decisiva na hora de executar os planos. É o caso do Infocentro, uma sala da Oficina Cultural de Bauru que possui dez computadores ligados à Internet colocados à disposição da comunidade.

“Além do uso diário para e-mails, bates-papos e pesquisas, o Infocentro nos proporcionou um campo maior de atuação da oficina. Com a utilização da mídia, recentemente realizamos um curso de computação gráfica. Ainda temos a idéia de montar um Núcleo de Vídeo na unidade”, observa Graziani.

“Mas nossa programação é eclética. Procura atender a todos os gostos, classes e idades, oferecendo cursos de capoeira, hip hop, música e pintura”, ressalta.