09 de julho de 2026
Saúde

Corpo cuidado facilita recuperação

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Uma dieta equilibrada, exercícios físicos adequados e hidratação durante os nove meses de gestação são determinantes quando o assunto é a recuperação do corpo no pós-parto. De acordo com o dermatologista Wagner Monteiro Cardoso, a mulher que se cuida na gravidez sobrecarrega menos o corpo e isso significa menos sacrifícios mais tarde.

O médico adverte que a mulher - principalmente na adolescência - deve evitar qualquer tipo de esforço físico no primeiro trimestre da gestação, que é quando há maior chance de se sofrer um abortamento espontâneo. Vencido este período, ela deve iniciar uma atividade física moderada, porém, regular.

“O melhor exercício para a gestante, em qualquer idade, é a hidroterapia. É uma fisioterapia que se faz dentro da água com acompanhamento de um profissional. A água tira o impacto e permite que se controle o esforço feito pela pessoa”, explica. A caminhada também é uma boa opção.

Simultaneamente, é preciso cuidar da dieta. “O acompanhamento nutricional talvez seja a coisa mais importante na gravidez hoje. A mulher vai sentir mais fome, porque é preciso nutrir aquele ser em desenvolvimento dentro do seu útero. Só que esse ‘mais’ deve ser suprido com vitaminas, proteínas, minerais e carboidratos extraídos de alimentos saudáveis, em refeições equilibradas”, lembra o médico.

Ele destaca que o crescimento fetal acentua-se a partir do terceiro mês. É o período em que a mulher começa a ganhar peso, mas quem tem que engordar é o bebê e não a mãe. O ideal é que ela ganhe entre oito e dez quilos até o final da gestação. Tudo o que ela engordar além disso vai ficar no seu próprio corpo depois que o bebê nascer.

“Imagine uma mulher de 1,70 metro que pesa 50 quilos. Ela é magra e, de repente, engorda 20 quilos numa gestação. Ela vai ganhar, em nove meses, quase 50% a mais do peso que seu biotipoa vida inteira. O corpo dessa mulher não voltará mais a ser como era”, adverte.

Segundo ele, quanto mais o abdômen aumenta, mais ele comprime outros órgãos da mulher. A veia cava, por exemplo, ao ser comprimida, faz aumentar a pressão sangüínea sobre as veias das pernas, fazendo com que apareçam vasinhos e varizes. O aumento de peso também facilita a retenção de líquidos, com conseqüente inchaço.

Outro problema do ganho repentino de peso é o aparecimento das estrias. Elas podem aparecer pela distensão exagerada da pele. Ao ser esticada para a acomodação do bebê, as fibras que colágeno que sustentam a pele podem romper-se - são as estrias.

“É por isso que se recomenda o uso de hidratantes como o óleo de amêndoas. A pele hidratada ‘desliza’ mais facilmente. Mas quanto mais a mulher engorda, maior é a distensão e mais estrias tendem a aparecer”, afirma.

Então, mesmo que essa mulher perca os 20 quilos ganhos na gravidez, mesmo que ela consiga reduzir a gordura localizada, ela carregará consigo as estrias, a flacidez, as varizes e outras alterações físicas sofridas.

Depois de já ter ganho as seqüelas, a única opção é buscar tratamentos que amenizem o problema. “As estrias tratadas logo depois do parto, quando ainda são vermelhas, podem ser atenuadas em até 50%. Podemos amenizar bem, mas não existe cura. Por isso a insistência na prevenção”, justifica.

Da mesma forma, o médico recomenda o uso do filtro solar pelo menos três vezes por dia, todos os dias, mesmo dentro de casa. “Os hormônios fazem aumentar a pigmentação da mulher e podem surgir manchas na pele. Essas manchas são dificílimas de tratar e podem demorar anos para desaparecer”, acrescenta.

____________________

Marilene, 40 anos

A gravidez da advogada Marilene de Araújo, 40 anos, foi mais ou menos planejada, como ela mesmo define. Ela conta que o casal pensava em ter um filho, mas por causa da profissão e das viagens constantes sempre deixavam para depois, para quando a vida estivesse mais tranqüila e esse momento nunca chegava.

Até que ela começou a apresentar problemas de saúde. Fez uma avaliação médica, descobriu uma alteração hormonal e foi orientada a abandonar as pílulas anticoncepcionais por alguns meses.

“Nós passamos a usar preservativos. Estávamos evitando, mas não muito”, confessa rindo. Alguns meses depois, Marilene fez novos exames para ver se poderia voltar às pílulas, mas Lara, hoje com 4 meses, já estava a caminho.

Marilene começou a fazer o acompanhamento imediatamente. A médica orientou o casal sobre os riscos da gravidez aos 40 anos e ela fez todos os exames necessários para afastar qualquer preocupação. Mamãe queria parto normal, mas as contrações começaram e a dilatação não aconteceu, exigindo um parto cesariano.

“Eu que era muito prática, sempre trabalhei muito, muito independente, adorava crianças, mas tinha receio de como me sairia como mãe. Tinha medo da responsabilidade, mas é maravilhoso”, enfatiza.

Marilene garante que não teve problemas na adaptação. “Vi amigas que foram mães mais cedo reclamarem de inexperiência. Quando se é mais madura não tem isso. É muito gostoso, você se entrega mais e não se preocupa se tiver que abrir mão de alguma coisa pelo seu filho”, afirma.

Além disso, a advogada ressalta que um mês depois do parto tinha apenas dois quilos a mais que seu peso anterior. “E hoje já estou com o corpo quase igual e sem fazer nada, só amamentando”, comemora.

____________________

Amamentar reduz flacidez

O medo de ficar com os seios flácidos e caídos faz com que muitas mulheres arrumem desculpas para não amamentar seus filhos. Mas a ginecologista Carla Lambertini Bonjorno garante que, ao contrário do que se pensa, a amamentação, além de todos os benefícios para a saúde do bebê, previne a flacidez das mamas.

“Quando você quer fortalecer seu braço, você põe no gesso ou se movimenta? A mama é a mesma coisa. Quanto mais o bebê suga, mais rápido ela volta para o lugar”, alerta.

A médica explica que a mulher que se recusa a amamentar fica com a mama ingurgitada, inchada. Com o tempo, o leite parado acaba sendo absorvido pelo organismo, mas aquela glândula inchada torna-se flácida.

“A mãe que amamenta faz exercícios com a mama. Ela produz leite e a glândula aumenta, o bebê suga e ela retrai, várias vezes, fazendo uma ‘musculação’ nas glândulas mamárias. Com isso, o organismo consegue um tempo maior para retirar o excesso de pele e recuperar os seios - não digo que eles ficarão 100%, mas com certeza ficarão bem mais consistentes que na mulher que não amamenta”, reforça.