10 de julho de 2026
Bairros

Extintores são negligenciados

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

Entre os diferentes tipos de extintores comercializados, os destinados a veículos são os mais negligenciados. A informação é de empresas do ramo em Bauru.

Estabelecimentos comerciais, indústrias e prédios residenciais geralmente recarregam a carcaça do extintor no período recomendado nas etiquetas de validade.

As empresas distribuidoras costumam estar atentas aos cadastros de seus clientes para lembrá-los da data de vencimento. Essa prática não ocorre em relação aos motoristas, que apenas eventualmente são abordados em postos de combustível e acabam esquecendo ou muitas vezes nem sabem da necessidade de trocar o extintor.

Emerson dos Santos Guerra, de uma empresa que vende extintores em Bauru, explica que seus clientes são comunicados e também orientados sobre como utilizar os equipamentos. “Não deixamos vencer”, enfatiza.

“O pessoal tem medo de não pegar alvará e por isso está sempre em dia e não deixa vencer”, acrescenta, referindo-se aos estabelecimentos comerciais e indústrias.

O usuário de qualquer tipo de extintor deve estar atento à data de validade, impressa no selo da empresa; ao selo azul do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro); ao anel de identificação (que indica mês e ano da manutenção) e ao manômetro, que mede a pressão e cujo ponteiro deve estar sempre na faixa de operação verde.

Para utilizá-lo, deve-se romper o lacre e posicioná-lo verticalmente, direcionando o jato sempre para a base do fogo.

De acordo com Ademir Belusso, que comercializa extintores, o jato de descarga dos extintores destinados a veículos dura aproximadamente nove segundos. “90% dos clientes que precisam usar conseguem apagar o fogo”, garante.

Ele esclarece que a validade do conteúdo do extintor é de um ano, mas que o cilindro dura em média cinco anos. Por isso, as carcaças são reaproveitadas pelas empresas para o recarregamento, que custa cerca de R$ 15,00.

“O teste hidrostático da carcaça vale por cinco anos. Nesse período, pode-se fazer a recarga. Depois, é necessário outro teste”, expõe Belusso.

Ele afirma que a maioria dos motoristas troca o extintor do carro apenas quando é comunicada pelo vendedor nos postos de combustível. “90% dos clientes estão irregulares. A maioria das pessoas nem sabe”, afirma.

Belusso sugere que nos cursos para motoristas iniciantes, as pessoas também aprendam a manusear um extintor.

Orientação

Josmair Gomes, responsável por outra empresa que comercializa extintores em Bauru, confirma que há muita desinformação sobre como utilizar um extintor. “Nem todo mundo sabe usar. Uns 10% ou 20% têm extintor por ter”, calcula.

Ele também afirma que os extintores veiculares não são trocados com freqüência. “Os motoristas se esquecem. De dez extintores, metade estão em ordem e a outra metade nem vê a data de vencimento. Tem motoristas que nem sabem onde fica o extintor no carro”, agrava Gomes.

Embora o comércio seja mais assíduo ao recarregamento de extintores, sempre há exceções. “Alguns não têm interesse. Eles falam que não usaram e que não querem gastar dinheiro com isso”, conta.

“Todo estabelecimento público deve ter extintor, mas nem sempre é assim. De cada dez lojas, você acha umas duas sem o equipamento”, acrescenta o comerciante.

____________________

Condutores dão exemplo

Embora os comerciantes afirmem que os motoristas costumam ser negligentes com as questões referentes a equipamentos de proteção contra incêndio, alguns entrevistados pelo JC mostram-se prudentes e dão o bom exemplo aos demais.

Ao ser abordado, Marcos Eduardo mostrou que seu extintor estava regular. Depois que o carro da irmã foi incendiado porque o extintor não funcionou (estava vencido), ele habituou-se a fazer a troca anual.

Aparecido Belchior também estava com o equipamento em dia, mas confessa que só se lembra de trocar quando é comunicado em um posto de combustível. Ele garante que saberia usar quando necessário.

Delton Tadeu Mateus também mostra o comportamento-modelo. Ele troca anualmente, antes de ser abordado pelo vendedor. “Eu verifico sempre porque a multa é alta para burro”, explica.

Já uma mulher, que não quis ser identificada, estava com extintor vencido desde 1999 e alegou que comprou o carro recentemente já com o extintor vencido.

Uma outra condutora que também não quis se identificar estava com o extintor vencido. Ela sabia que tinha que conferir mas não verificou a data de validade porque é a filha quem usa o carro com mais freqüência. “Eu achei que ela já tivesse trocado”, disse.

____________________

Infração

A falta de extintores de incêndio em veículos ou as irregularidades nos extintores (descarregados ou vencidos) constituem infrações de trânsito de natureza grave.

O motorista é autuado e perde cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A multa é de R$ 127,00.

De acordo com o tenente Jorge Luís Dias, da Companhia de Trânsito da Polícia Militar (PM) de Bauru, a medida é estabelecida pela resolução 14 do Código Nacional de Trânsito, de 1998.

Dias afirma que já foram realizadas no Município campanhas de conscientização sobre o uso dos equipamentos de segurança.

O tenente explica que a Companhia de Trânsito dá prioridade à prevenção de infrações dinâmicas, como falta do cinto de segurança ou travessia no semáforo vermelho. A ausência do extintor, considerada uma infração estática, é vistoriada nos veículos sempre que possível, segundo Dias.