Considerando os indicadores econômicos, retratados na cotação do dólar, risco-país, bolsa de valores e inflação, podemos dizer que a economia nacional vai bem.
Vai bem? O lado monetário da economia, sim! O lado real da economia, a que produz bens e presta serviços, essa ainda não sentiu esse bom momento.
Os números do primeiro trimestre deste ano apontam para um enxugamento no número de empregos e queda generalizada no nível de atividade, com conseqüente redução na margem de lucro.
Enquanto as maiores instituições financeiras do país anunciam lucros entre R$ 500 mi e R$ 730 mi, com crescimento significativo sobre o mesmo período do ano passado, as pequenas e médias empresas, base da economia “real†brasileira, agonizam.
Crédito caro, inadimplência acentuada, elevada carga tributária e baixa demanda levam essas empresas à agonia, podendo chegar à paralisação de suas atividades.
É certo que, com indicadores econômicos melhores, abre-se espaço para avanço no setor produtivo, mas é certo também que é preciso aumentar a velocidade desse ciclo.
O Copom pode caminhar nesse sentido reduzindo a taxa de juros. Os agentes financeiros poderiam rever políticas de crédito voltadas as empresas e o governo, no geral, poderia começar por implantar o banco do povo, e retomar linhas de crédito com juros decentes.
Não vou nem tocar na agonia da classe média, porque aí precisaria escrever mais uma lauda sobre o sacrifício que essa faixa da população vem sendo obrigada a passar (se é que a classe média ainda existe).
E a economia real? Prioridade Zero visando dar fôlego. É questão de sobrevivência.
Governo novo com práticas antigas não leva a lugar algum. (O autor, Reinaldo Cafeo, economista, mestre em comunicação, vice-diretor da Faculdade de Ciências Econômicas de Bauru e delegado do Corecon)