10 de julho de 2026
Geral

Associação defende perueiros atuando no transporte coletivo

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

A Associação de Moradores do Jardim Carolina anuncia que vai começar, neste sábado, a cadastrar perueiros interessados em realizar o transporte pago de passageiros na cidade, apesar da atividade ser considerada ilegal pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb).

O objetivo é atender a população que utilizava as linhas de ônibus que foram retiradas ou modificadas com a modelagem do sistema coletivo, há um mês, segundo o presidente da associação, Mathias Muniz. Os moradores procuraram a Emdurb e foram ouvidos, mas as reivindicações não foram atendidas, argumenta ele.

“A resposta deles (Emdurb) foi que é impossível voltar as linhas, ou colocar mais ônibus onde as pessoas têm ficado nos pontos mais de 40 minutos”, diz Muniz. A assessoria de comunicação da Emdurb informa que o transporte de passageiros por perueiros é inconstitucional.

O Código de Trânsito Brasileiro diz, no artigo 231, inciso VIII, que é proibido efetuar transporte remunerado de pessoas ou bens, quando não for licenciado para esse fim, com penalidade de multa e apreensão do veículo. Na cidade de São Paulo, por exemplo, as lotações só foram legalizadas pela prefeitura em 2000, após vários meses de negociações.

Mas Muniz protesta dizendo que quando começaram a aparecer mototaxis em Bauru, estes também eram ilegais, e hoje são regularizados e muito úteis à população. “O perueiro é ilegal, mas para quem pega até quatro ônibus lotados por dia, é superlegal”, ressalta.

Os planos são de colocar as peruas nas ruas já na próxima semana, e circulando o dia todo. “Vai ser uma experiência de um mês. Se a Emdurb voltar as linhas, os perueiros já estão avisados que vão parar. Senão, continuam. Vai começar como um protesto, e se continuar, maravilha, vira um serviço à população”, afirma Muniz.

A Emdurb responde dizendo que o sistema de transporte coletivo da cidade permanece aberto a negociações, e tem obrigação de atender os pedidos da maioria. Segundo a assessoria de comunicação, existe hoje na cidade um ponto de ônibus a cada 300 metros.

A Emdurb informa ainda que as alterações nas linhas ocorridas no mês passado não afetaram a eficiência do sistema e os ônibus continuam passando nos pontos a cada 20 minutos, no máximo.

Dos moradores da região do Jardim Carolina ouvidos pelo JC, todos reclamaram da longa espera nos pontos, ou da chegada de ônibus muito lotados, principalmente depois das mudanças.

Nos planos da Associação de Moradores do Jardim Carolina, o trajeto dos perueiros vai ser o mesmo das linhas que foram retiradas, passando pelos pontos onde os moradores têm reclamado de demora dos ônibus. Uma dos trajetos seria do Núcleo José Regino (Bauru 25) até a Vila Maria, passando pelo Centro da cidade, o mesmo de uma linha que foi cancelada.

O preço da passagem, de acordo com Mathias Muniz, será o mesmo do ônibus, R$ 1,20. Luiz Carlos Pedro, proprietário de uma Kombi diz que está disposto a fazer o transporte e contatar amigos que também possuem vans e peruas. “O que a gente vai fazer é um auxílio à população, mesmo cobrando pelo serviço, porque a empresa de ônibus foi negligente e deixou os moradores sem ônibus. Alguém precisa fazer alguma coisa”, afirma.

• Serviço

O cadastramento está programado para ser realizado neste sábado, a partir das 15h, na rua Maria Tereza Fronick, 1-28, no Núcleo Bauru 22. O telefone da Emdurb para reclamações e sugestões é 0800-994599, com ligação gratuita.

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Moradores aprovam peruas

José Fernandes Amaral Neto, 16 anos, que mora na avenida Jorge Schneyder Filho, no Parque Paulista, conta que os ônibus realmente estão demorando mais. “A gente fica esperando no ponto mais de meia-hora. Se tivesse uma van, uma perua, eu utilizaria, sim”, opina.

O morador da rua Salvador Cacciola, no Jardim Carolina, José Nazário da Silva, 76 anos, diz que tem utilizado ônibus lotados ultimamente, e os lugares para idosos estão sempre ocupados. “Mas eu não pago o ônibus, então prefiro sofrer um pouquinho para não pagar nada”, afirma.

Já Benedita Santana, 73 anos, moradora da rua Adante Gigo, no Jardim Carolina, acha que pegaria uma lotação, mesmo tendo de pagar a passagem. “O ônibus é de graça para mim, mas está demorando muito, e sempre chega lotado. Eu pagaria a lotação pra ir mais rápido e sentada.”

“Os ônibus estão mais lotados, e passam em horários diferentes. Se for o mesmo preço, a van vai ser melhor, mais confortável”, opina Gabriel Molina, 15 anos, que também mora na rua Adante Gigo.

O morador da rua Altair Leite de Campos, Jardim Carolina, Valdecir dos Santos, 40 anos, diz que se o preço do coletivo for o mesmo, e passar pelos pontos que ele utiliza, não teria problema em usar o serviço.