Pirajuí - Cerca de 400 presos indultados causaram prejuízos na viagem de volta ao sistema penitenciário, na tarde de anteontem. Durante a parada para o almoço, por volta das 12h15, eles furtaram o Auto Posto Andrade, no quilômetro 394 da rodovia Marechal Rondon, próximo a Pirajuí (55 quilômetros a Noroeste de Bauru).
A ação dos detentos causou um prejuízo de aproximadamente R$ 4 mil ao estabelecimento, segundo informação de funcionários.
Sem policiamento e com poucos funcionários para atender o grupo, o posto foi presa fácil para os indultados. Além de não pagar pelo almoço, eles furtaram pacotes de salgadinhos, camisetas, sorvetes e outros objetos. O tumulto só foi controlado com a chegada da Polícia Rodoviária.
Ao todo, dez ônibus pararam no posto para o almoço. Os presos retornavam do indulto concedido pela Penitenciária de Valparaíso por ocasião dos Dias das Mães.
De acordo com informações de funcionários que presenciaram a ação, os ônibus foram chegando aos poucos. Apenas um ônibus teria parado e perguntado se havia comida para 40 pessoas. Como a resposta foi positiva, eles se acomodaram para esperar até que fossem servidos.
Entretanto, logo em seguida, chegaram os outros nove ônibus com mais de 300 detentos famintos.
Impacientes com a demora, eles entraram na cozinha e passaram a cobrar rapidez na preparação da comida. Apavorados com a situação, os proprietários do estabelecimento acionaram o policiamento rodoviário.
Com a chegada da polícia, os presos se acalmaram, mas muita coisa já havia sido furtada e muitos detentos haviam retornado ao ônibus.
Na opinião do delegado Kleber de Oliveira Granja, o indulto é sempre um risco. “A gente fica torcendo para que nada de mais grave ocorra.” De acordo com ele, se o proprietário do posto quiser poderá pleitear uma reparação de danos, processando o Estado.
Granja acredita que as investigações devem levar pelo menos 30 dias até que se consiga chegar a algum culpado. “O problema é identificar os autores desses furtos. É muito difícil obter alguma informação concreta a respeito”, lamenta ele.
A quantidade de pessoas envolvidas e a distância entre Pirajuí e Valparaíso (180 quilômetros) deve atrapalhar os serviços, na opinião do delegado.
Caso algum preso seja identificado como sendo um dos autores dos furtos, ele deve ser processado criminalmente, segundo informou Granja.
Além disso, outras sanções podem ser aplicadas dentro da própria penitenciária. Entre as punições possíveis, está a perda de indultos futuros.
De acordo com um funcionário da penitenciária, que pediu para não ser identificado, geralmente é a direção do presídio que contrata a empresa de ônibus para fazer o transporte. Mas, ele garantiu que só sai da penitenciária os indultados que têm dinheiro para pagar a passagem de ida e volta.
De acordo com o funcionário, os dez ônibus que causaram prejuízo em Pirajuí estavam retornando de São Paulo.
O indulto só é concedido pela Justiça aos presos que apresentam bom comportamento. Não há escolta ou qualquer outro tipo de policiamento enquanto eles estão na estrada.
Em janeiro deste ano, facções rivais transformaram a rodovia Marechal Rondon, próximo a Areiópolis, em uma verdadeira praça de guerra.
Detentos de Mirandópolis, Pacaembu e Valparaíso (novamente eles) voltavam para as prisões após as festas de fim de ano. No confronto, quatro detentos ficaram gravemente feridos.