A julgar pela previsão da Associação Paulista de Supermercados (Apas), o consumidor pode esperar estabilidade - e até queda - nos preços de grande parte dos produtos de supermercado nos próximos dois meses, em função das baixas do dólar e do petróleo.
“As perspectivas são muito boas. O mês de maio vem acusando que nós já descemos para 1% no índice de aumento no setor de alimentação”, diz o presidente da Apas, Sussumu Honda. Segundo ele, o setor está esperando fechar o mês com alta de apenas 0,5%. “Os índices de aumento vem caindo sistematicamente”, observa.
Honda esteve em Bauru, anteontem, para promover a 19.ª edição da Convenção Paulista de Supermercados e Feira de Equipamentos, Produtos e Serviços (Apas 2003), que será realizada entre os dias 26 e 29 deste mês no Expo Center Norte, em São Paulo.
De acordo com Honda, a queda no dólar favorece - para o varejo - a comercialização das commodities, como soja e trigo. A farinha de trigo, por exemplo, é uma matriz fundamental para diversos segmentos do setor de alimentação, como o de biscoitos e massas. O óleo de soja, pela primeira vez no ano, já está sendo vendido a menos de R$ 2,00.
Outros setores também estão sendo beneficiados pela baixa cotação do petróleo. A conseqüente diminuição no custo dos subprodutos petrolíferos, como o plástico, acaba por “contaminar” positivamente o valor de produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica, por exemplo.
Segundo o presidente da Apas, o pico de alta de preços em novembro passado não deve se repetir em breve. De acordo com ele, nos últimos 12 meses o índice de preços no atacado acumula 42%, mas negociações de grandes redes e a pressão do varejo fizeram com que o repasse ao consumidor no mesmo período fosse de cerca de 24%.
A má notícia fica por conta dos preços do trivial do consumidor brasileiro. “Em dois produtos que são básicos do nosso consumo, o arroz e o feijão, não vamos ter queda de preços”, afirma Honda. Segundo ele, houve grande quebra na safra de arroz e na de feijão. “A produção (de arroz) não deve atender ao consumo nacional neste ano, pelo menos até a próxima safra”, completa.
Identificação
De acordo com Honda, os empresários do setor têm percebido a “insatisfação” dos consumidores quanto à alta nos preços. Com a Feira Apas 2003, o setor espera compensar esses fatores “extra-campo” com reciclagem nas técnicas de administração e conhecimento de inovações tecnológicas.
O tema deste ano, “Identificando o DNA do Consumidor”, vai procurar ajustar a demanda do consumidor ao que as lojas oferecem. “O avanço tecnológico hoje permite que você, através da passagem do cliente pelo caixa, identifique padrões de consumo”, diz Honda. É possível identificar, por exemplo, em qual época do ano as vendas de certo item aumentam ou até qual dia da semana há mais procura por determinado produto.
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Bauru
Bauru foi a última das dez regionais visitadas pelo presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda, para a promoção da Feira Apas 2003. Segundo ele, a região é um “mercado consolidado” para o setor supermercadista. “Em Bauru se vê a entrada das grandes redes, de atuação nacional, e elas não entram em mercados de consumo incipientes”, declara.
Ainda de acordo com Honda, além do potencial de consumo, Bauru é uma das principais regionais da Apas devido a sua localização estratégica no centro do Estado, dentro de um mercado consumidor em franco desenvolvimento. “O Interior (de SP) é visto hoje como o segundo maior mercado de consumo do Brasil”, diz.
De acordo com o diretor da regional Bauru da Apas, Jad Zogheib - considerado “referência nacional no setor” por Honda -, a Feira Apas 2003 é uma oportunidade principalmente para os pequenos lojistas. “É na feira que o pequeno supermercadista consegue fazer o contato com a indústria e passa a prospectar novos fornecedores para ele. As palestras estão diretamente ligadas ao crescimento profissional do supermercadista”, diz.
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Feira é a 3ª maior do mundo
A Convenção Paulista de Supermercados e Feira de Equipamentos, Produtos e Serviços (Apas 2003) chega à 19.ª edição como a terceira maior feira de alimentos do mundo. Para este ano, a novidade são as palestras com especialistas internacionais.
“Nós teremos palestras abordando todos os assuntos para uma operação de supermercado, desde RH, até reforma e informática”, diz o deputado estadual Orlando Morando (PSB), representante do setor na Assembléia Legislativa (AL).
A Apas 2003, que tem como tema este ano “Identificando o DNA do consumidor”, espera atrair 50 mil visitantes entre os dias 26 e 29 deste mês no Expo Center Norte, em São Paulo. A expectativa de negócios na feira está ao redor de R$ 2,5 bilhões.
Em São Paulo, a associação representa 4.681 empresas e 5.762 lojas, que empregam cerca de 160 mil pessoas e respondem por 42% do faturamento do segmento nacional. No Brasil, o setor tem um faturamento de R$ 73 bilhões por ano, o correspondente a 7% do Produto Interno Bruto (PIB).