08 de julho de 2026
Pesca & Lazer

Frio chega e não espanta pescadores

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Como diz o pescador Bruno B. Perottoni, de Curitiba: “os peixes não são como os pássaros que migram em busca de calor, eles continuam lá, é só se adaptar”. A afirmação vale para todos que não conseguem abandonar o prazer da pescaria mesmo quando a temperatura cai.

Para esse período que se aproxima, os pescadores preparam iscas diferentes, buscam outras espécies, improvisam, mas não deixam de seguir para as águas, sejam doces ou salgadas. Fábio Baraldi, 28 anos, é pescador desde criancinha e a queda da temperatura não o intimida. Na região, ele prefere as margens de Ibitinga e Borborema para buscar tucunarés.

A espécie, uma das mais queridas por Baraldi, já lhe rendeu um troféu de 9 quilos, nas águas do rio Marmelos (AM), em 1996. “Atuamente, a região virou reserva, mas o meu tucunaré ficou como troféu daquela pescaria”, comenta. Ele guarda até hoje o peixão no freezer e mostra para quem quiser conferir.

Em suas aventuras de pesca, já pegou dourado de 8 quilos no fly, o que rendeu trabalho e emoção. “Eu pesco de fly desde 92, acho que fui um dos primeiros em Bauru. Mesmo no frio, gosto de ir pescar, saber o que está pegando, que iscas usar”, diz Baraldi.

Para ele, o pescador deve investigar o rio para a pescaria, principalmente no período de frio. “Quando o tempo esfria, o peixe fica mais parado, come menos, pois não pode ficar caçando. É preciso passar a isca na cara dele para pegá-lo. O peixe fica mais manhoso.”

Para encontrá-los, Baraldi muda o tipo de isca. “No caso dos tucunarés, mudo as iscas de superfície por de meia água ou de fundo. No fly, é necessário mudar a linha, optar pela de fundo”, orienta.

Hora do troféu

Apesar das dificuldades da queda da temperatura como acordar sem “aquele” raiar de sol, ter que se encapotar todo, ficar com uma “corisinha” constante, é nesse período que os grandes exemplares saem da toca. Os pescadores são unânimes ao afirmar que os dias frios permitem a pesca de bons troféus.

Para o pescador Nelson Maciel, as estações frias atrapalham em apenas um sentido: “temos menos horas de pescaria, se compararmos ao verão”. Mesmo assim, Maciel afirma que o período é bastante produtivo para determinadas espécies.

O black bass, por exemplo, procura profundidades maiores de represas e reservatórios. “Nesse momento, a espécie nos obriga a usar jigs com grubs, shads, além de outro tipo de isca semelhante, que são as minhocas artificiais. Aí você precisa usar anzóis e chumbos especiais”, comenta.

Na linha dos maiores exemplares, o pescador Fábio Baraldi fala sobre a pescaria de piaparas. “A piapara é a minha paixão, porque é uma pescaria técnica”, diz. Ele explica que para pegar a piapara é preciso, além de técnica, paciência. “Você deixa o barco apoitado, com uma bóia na poita, caso precise sair atrás do peixe. Solta o cevador e vai pescando na ‘rodadinha’”, sugere.

Baraldi dá a receita da ceva: “a cada meia hora, abasteca o cevador com quirela, milho cozido e sangue”. Coloque a quirela, crua mesmo (5 quilos) e o milho (20 quilos), que deve ser cozido até estourar, e deixa azedar. No dia da pescaria acrescente o sangue. Segundo Baraldi, para os peixes, a ceva “é uma delícia”!

A dica vai para dias quentes e frios, porém, quanto a temperatura cai, muda o horário de pesca. “Você deve procurar as piaparas entre 10 e 16h”, orienta Baraldi. “Já peguei exemplares de até 2 quilos.” Ele comenta também que a receita de ceva serve para pacus e piracanjubas, para a última, acrescente soja, elas adoram!

Trutas e anchovas são vedetes do frio

Os pescadores do Rio Grande do Sul podem deixar com inveja os pescadores paulista, mas nessa época, a vedete da pesca de fly é a truta. Lauro Rosset e Gustavo De Marchi, ambos das terras gaúchas, comentam que a espécie busca iscas variadas. “As iscas imitam hábitos alimentares das trutas, como ninfas, moscas, bezouros, aranhas, formigas, grilos, pequenos crustáceos e peixes. As artificiais pequenas também dão bom resultado”, comenta Rosset.

No mar, as anchovas são as preferidas para os dias frios. Considerada espécie de passagem, as anchovas acompanham as correntes frias vindo do Sul do País, com origem nas ilhas Malvinas. No Estado de São Paulo, o litoral Norte oferece boas opções de pescaria, principalmente em Ilhabela.

O pescador João Pereira dos Santos, de Alphaville, comenta que a anchova pode ser pescada com iscas naturais e artificiais. “No fundo, o pescador pode usar iscas naturais com sardinhas, paratis, lulas (de preferência vivas). Já com iscas artificiais, é muito útil utilização de jampig jig no fundo, com recolhimento rápidos até a superficie”, exemplifica.

Para pegar as anchovas na superfície, a sugestão de Santos é arremessar nas espumas e recolher com toque de ponta de vara. “As iscas tipo Big-Bob, Miss Carna, Pop queen, Tunão (todas de superfícies) são fantásticas”, finaliza.