09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Indultos que nos insultam


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“Não falo como você fala, mas vejo bem o que você me diz. Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito.” (Renato Russo)

Indulto - “ato de clemência do Poder Executivo de caráter geral e impessoal, concedendo perdão, diminuindo ou comutando a pena de um grupo de condenados por crimes comuns e contravenções”.

Apesar de estarmos vivendo com medo atrás de grades, cercas eletrificadas, muros altos, alarmes, e tantos outros meios particulares de segurança privada;

Apesar de estarmos assistindo ao clima de guerrilha urbana imposto pelo narcotráfico no Rio de Janeiro, com o povo carioca se refugiando em suas casas com medo de balas perdidas. Com o poder público totalmente perdido e sem uma política que transmita a sociedade civil um mínimo de confiança em suas ações e intenções;

Apesar de sabermos que os criminosos estão cada vez mais ousados e praticando seus delitos com uma violência incomum, com requintes de crueldade;

Apesar de percebermos que os governos estaduais não investem o necessário em segurança pública, com a formulação de uma política firme e austera para o combate a todas as formas de crimes contra a sociedade;

Apesar de sabermos que nos últimos oito anos o governo federal construiu apenas um presídio de segurança máxima e não alterou sequer uma lei que pudesse dificultar as ações dos grandes criminosos que habitam e circulam livremente por nossas instituições;

É lamentável verificarmos que os criminosos além de consumirem milhões de reais por ano as nossas custas, ainda conseguem com o dinheiro da criminalidade comprar por meio de corrupção, celulares, armas, drogas e sexo nas cadeias imundas de nosso imenso país. Não bastasse tudo isso, ainda temos de presenciar a cada novo feriado (natal, ano novo, páscoa, dia das mães, dia das crianças, etc.), a liberação de milhares de criminosos dos nossos presídios para invariavelmente cometerem novos crimes e perturbarem ainda mais nossa tão frágil liberdade.

É um insulto, um acinte a forma generosa com que nossa justiça e nossas autoridades em suas mais diversas esferas dispensam aos bandidos que uma vez nas ruas, matam, estupram, aterrorizam e espalham sangue e medo por nossas ruas e avenidas. Na maioria dos países civilizados e bem administrados os criminosos cumprem suas penas rigorosamente até o final, sem direito a fugas, rebeliões, visitas íntimas, frigobares, celulares e tantos outras excrescências exclusivas do modelo brasileiro de administração penal. (Rafael Moia Filho - RG 6.711.407-6)