09 de julho de 2026
Bairros

Obra inacabada abriga residência de madeira

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Uma construção inusitada e de fazer inveja a muitos. A casa de madeira em que mora José Bahia Sodré, na Vila Aviação, foi adaptada no primeiro andar da obra de um prédio inacabado.

O autor do projeto é o próprio dono da casa. O prédio estava sendo construído para funcionar como um centro médico, mas a obra está parada desde a década de 90, segundo o morador.

Durante alguns anos, a obra ficou abandonada. Sodré foi contratado pelos responsáveis pela construção para cuidar do imóvel e decidiu mudar-se para lá.

Inicialmente, mudou-se com a esposa e a filha para um cômodo feito de alvenaria há alguns anos para abrigar o almoxarifado da empresa.

Apesar das paredes serem de alvenaria, a família não gostou do local e decidiu ocupar parte do grande espaço do primeiro andar da obra para fazer a casa de madeira.

As tábuas de madeira foram adaptadas à estrutura de concreto, numa criação inusitada. No muro de entrada, há um misto de tijolos e madeira. A parede de alvenaria inacabada foi completada pelos novos moradores visando mais segurança.

Até o início deste ano, havia apenas o piso do primeiro pavimento e pilares. Nenhuma parede. Em cerca de 20 dias, Sodré construiu a casa de quatro cômodos com ajuda de colegas. As paredes têm, inclusive, janelas de ferro e vidro adaptadas à estrutura de madeira.

A água da chuva não entra na casa e Sodré garante que as paredes estão firmes. Elas são sustentadas pelas vigas de concreto e pilares de apoio feitos com madeira.

A casa conta com energia elétrica e sistema de água e esgoto. “Tem chuveiro, torneira e descarga dentro de casa. Tudo certinho”, conta Sodré.

A família construiu também um forno a lenha e criou um galinheiro e uma horta que abastece a casa, ambos no piso térreo da obra inacabada.

O frio é um problema que ele ainda não solucionou e por isso está pensando em fazer algumas adaptações. “A gente está acostumado. Não é nada grave”, afirma.

As técnicas utilizadas por Sodré foram aprendidas empiricamente, segundo ele mesmo afirma. Os aprendizados da carpintaria, ramo em que atuou quando jovem, auxiliaram no serviço. “A gente vê e aprende a fazer. Foi só colocar as madeiras e pregar. Não cai”, garante.

Sodré reforça que vive bem e que gosta de morar no local, de onde não tem previsão de sair. Se um dia a obra for retomada, a família já tem destino certo, já que possui quatro casas alugadas na Pousada da Esperança.

“Aqui é sossegado, ninguém aborrece. Eu tenho minhas plantas - feijão, mandioca, abóbora, chuchu”, justifica Sodré.