08 de julho de 2026
Saúde

Rotina precisa ser seguida à risca

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

A medicina ainda não encontrou uma cura para o diabetes. Mas, segundo os especialistas, o paciente que segue o tratamento à risca e mantém seus níveis de glicemia sempre controlados e próximos da taxa normal tem uma expectativa de vida semelhante à de qualquer pessoa sadia. São as oscilações que comprometem a saúde.

O tratamento para diabetes tipo 1 (forma mais freqüente em crianças) inclui as injeções de insulina, restrição ao açúcar, dieta superbalanceada (fracionada em refeições a cada três horas), exercícios físicos regulares, exames e acompanhamento médico/nutricional periódicos. O desafio, portanto, é justamente manter a disciplina. O diabético não pode fugir da rotina prescrita pelos especialistas.

De acordo com a nutricionista Rosângela Maria Barone, professora do curso de Nutrição da Universidade do Sagrado Coração (USC), a dieta prescrita para o paciente diabético é aquela defendida pelos médicos como a mais saudável para todas as pessoas, em qualquer idade: a alimentação balanceada, com carboidratos, fibras, proteínas, gorduras, vitaminas, sais minerais e água.

A única diferença está na restrição ao açúcar branco e seus derivados, que é total para esses pacientes. A nutricionista explica que todas as pessoas precisam ter glicose no sangue para o bom funcionamento do organismo. A principal fonte desta substância são os carboidratos, que dividem-se em dois grandes grupos.

O açúcar branco é um carboidrato simples. Quando chega no estômago, ele é transformado em glicose e capturado pela corrente sangüínea imediatamente. Já os carboidratos complexos (arroz, batata, mandioca, cereais, massas) são transformados em glicose mais lentamente.

Num organismo saudável, sempre que o sangue recebe glicose, o pâncreas providencia a liberação simultânea da insulina para retirar o excesso dessa glicose do sangue e distribuí-lo pelas células. No diabético, a insulina é artificial e esse transporte é bem mais lento. Se ele come açúcar, a taxa de glicose no sangue sobe muito e rápido, causando uma intoxicação (hiperglicemia).

Por isso, as fontes de glicose para um diabético só podem ser os carboidratos complexos - aqueles de digestão mais lenta. “E eu posso aumentar ainda mais esse tempo quando combino esses carboidratos às fibras”, explica Barone.

As fibras são partes dos alimentos vegetais (frutas, legumes e verduras) que o organismo não consegue digerir. Quando ingeridos juntos, os carboidratos “escondem-se” entre as fibras e demoram ainda mais para ser transformados em glicose.

“Essa lentidão é muito importante para o diabético, porque ajuda a manter os níveis de glicemia equilibrados. As moléculas de glicose não chegam de uma só vez, nem faltam”, explica.

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Nem demais, nem de menos

Do ponto de vista médico, o maior problema no dia-a-dia de um diabético são as oscilações da taxa de glicose no sangue. Quando essa taxa sobe demais (hiperglicemia), o sangue fica intoxicado e não consegue transportar adequadamente outros nutrientes para as células.

Porém, é preciso que haja uma determinada quantidade de glicose na circulação para que o organismo funcione. Se essa taxa cair demais (hipoglicemia), o metabolismo pára.

É parecido com o que acontece no motor de um carro. Se o sistema injeta combustível demais de uma só vez, o motor encharca e começa a falhar. Mas se o combustível acaba, o motor desliga.

A endrocrinologista infantil Maria Cristina Crês salienta, porém, que a hiperglicemia só traz prejuízos à saúde do paciente quando é mantida por médio e longo prazos. Um diabético que segue o tratamento adequadamente vai ter hiperglicemia momentânea se comer um doce fora da dieta, mas esse quadro pode ser revertido facilmente com a injeção de insulina ou com o acréscimo de atividade física (leia mais abaixo).

Já os episódios de hipoglicemia podem levar uma criança à morte em poucos minutos se não for revertido. A hipoglicemia pode ocorrer por diversos fatores: quando a pessoa passa do horário de comer, quando exagera nos exercícios físicos, em momentos de muita ansiedade (que acelera o metabolismo).

“Nessas horas, se você põe uma pitada de açúcar, um copo de refrigerante comum, mel ou outro doce na boca da criança, você salva a vida dela. Por isso, é muito importante que professores e amigos saibam que ela é diabética e sejam instruídos sobre o que fazer nesses momentos. Se a criança costuma passear ou viajar sozinha, ela deve carregar um cartão consigo contendo todas essas informações”, destaca a médica.

Ela explica que se uma criança desmaia de repente e não se sabe o que ela tem, a primeira coisa a fazer é passar um pouco de açúcar em seus lábios e língua, antes mesmo de chamar o resgate. Se a causa do desmaio for uma hipoglicemia, essa pequena porção de açúcar poderá reverter o quadro. Sem a glicose, o desmaio será seguido de uma convulsão ou coma e ela pode morrer em poucos minutos.