08 de julho de 2026
Geral

Homossexualismo é tabu em sala de aula

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Enquanto temas como gravidez, drogas, racismo e religião são freqüentes em sala de aula, o homossexualismo está longe de ser abertamente debatido nas escolas. Para os professores, tratar de casos como o de um aluno que queria freqüentar o banheiro feminino ainda é uma questão complicada.

A revista Profissão Mestre, voltada para educadores, realizou uma pesquisa pela Internet e constatou que a pressão dos pais ainda é um empecilho na hora de contratar professores homossexuais. Entre os diretores que responderam à enquete, 47% dos que não empregariam esses profissionais alegaram este motivo.

A conselheira estadual do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial no Estado de São Paulo (Apeoesp), Suzi da Silva, diz que a situação melhorou bastante nos últimos anos, mas ainda não é a ideal. “Os professores não estão muito preparados para tratar dessa questão”, admite.

Ela conta que a Apeoesp está tomando medidas para ajudar a preparar esses profissionais. “Nos dias 24 e 25, teremos em São Paulo um seminário que englobará o homossexualismo. O objetivo é oferecer subsídios que possam ser utilizados em sala de aula”, diz.

Ela diz que Bauru vai estar representada no encontro. “Fizemos uma reunião no último dia 6 e elegemos quatro professores que estarão participando do evento”, conta.

O dirigente regional de Ensino, Jair Sanches Vieira, acredita que é necessário mais compreensão para tentar acabar com o tabu. “As pessoas acham que os outros precisam ser do jeito que elas querem, e não como elas são. Olham primeiro os trejeitos, e depois a pessoa”, diz.

Para ele, os dois lados precisam saber se comportar de maneira correta para evitar conflitos. “Muitas vezes, o professor ou aluno homossexual quer brilhar mais do que os outros e, quando não consegue, passa a agredir”, frisa.

Vieira conta que já precisou intervir duas vezes em problemas relacionados a opção sexual. “Já recebemos o pedido de uma classe para afastar um aluno e de outra que queria substituir o professor”, conta.

Vieira diz que, em ambos os casos, a solução foi pacífica. “Nós conversamos com todos os envolvidos e pedimos que houvesse um entendimento, o que acabou ocorrendo. No caso do aluno que era homossexual, por exemplo, explicamos a ele que não seria possível freqüentar o banheiro feminino, como ele queria”, relata.

Ele afirma que não há um curso voltado especificamente para preparar o professor sobre o tema da homosexualidade, mas que o assunto acaba sendo debatido no Programa Prevenção Também se Ensina, que trata das doenças sexualmente transmissíveis.

Ajuda

Para o diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieesp), Gerson Trevizan, discutir o homossexualismo em sala de aula não contribuiria para amenizar a discriminação. “A linguagem do professor já é contra todos os tipos de preconceito”, diz.

Ele afirma, porém, que o aluno homossexual ainda é estigmatizado. “O grupo costuma isolá-lo, mas não é só no Brasil que isso ocorre. Nos Estados Unidos, por exemplo, muitos homossexuais moram em comunidades. Os grandes movimentos que surgiram recentemente em vários lugares do mundo são a prova de que o preconceito existe.”

Trevizan conta que a instituição de ensino da rede particular que ele dirige tem regras claras sobre o assunto. “O professor jamais deve punir alguém por causa da opção sexual”, afirma.

Ele diz que alunos homossexuais já procuraram os psicólogos do colégio para pedir ajuda. “Eles confiam tanto nestes profissionais que, muitas vezes, precisam deles para conseguir contar aos pais.”

Para a diretora do Centro do Professorado Paulista (CPP) em Bauru, Vera Lúcia Durand da Silva, o problema que impede o debate em classe é a falta de conhecimento por parte dos professores. “Nós não sabemos nem como lidar com isso. É o tipo de coisa que ninguém comenta.”

Ela afirma que o CPP nunca recebeu denúncias de professores que sofreram preconceito por serem homossexuais. “Pode até ter acontecido, mas ninguém nos procurou”, afirma.

A professora Maria Tereza Turtelli, que dá aulas para o curso de pedagogia, diz que é difícil encontrar alunos e professores que assumam abertamente que são homossexuais. Ela acredita também que, atualmente, o preconceito é menor do que em épocas passadas. “Os tempos vão mudando. Antes, por exemplo, freqüentar a escola grávida era um escândalo. Hoje, ninguém mais liga.”

A diretora do Departamento Pedagógico da Secretaria Municipal da Educação, Fabíola Pereira Soares, concorda. “O ensino está voltado para o respeito à diversidade.”

Para ela, a evolução dos alunos pode até causar a discussão do tema em classe. “Eles estão mais bem informados e podem acabar fazendo, voluntariamente, um questionamento.”

Ela acredita que a maioria dos professores tem condições de responder às perguntas sobre o assunto. “Temos uma cartilha muito boa sobre as doenças sexualmente transmissíveis e quando, se fala disso, o homossexualismo está incluído.”