09 de julho de 2026
Regional

"Onda verde" será implantada em Jaú

Da Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Jaú - A região central de Jaú (55 quilômetros a Leste de Bauru) pode ter semáforos sincronizados a partir de agosto. Quem faz a afirmação é Bernadete Rossi Barbosa, diretora de tráfego e do sistema viário do município.

Um estudo realizado em conjunto pelo Departamento de Trânsito e a Faculdade de Tecnologia (Fatec) da cidade detectou 60 pontos críticos no tráfego jauense.

A pesquisa durou aproximadamente dois meses. Através dela, foram escolhidos os 12 cruzamentos que receberão a sincronização. Esses pontos não ficam exatamente no Centro, mas nas ruas próximas a ele, segundo detalhou Magaly Pazzian, diretora de transportes de Jaú.

Na verdade, o objetivo do Departamento de Trânsito é levar os motoristas a contornar o Centro pelas vias periféricas, diminuindo, assim, o tráfego da região.

“Isso fará o motorista perceber que não compensa mais andar por lá, a não ser que ele queira desenvolver alguma atividade no local”, aponta Bernadete. Com a “onda verde”, a velocidade desses corredores não passará de 45 km/h.

Magaly afirma que, mesmo não sendo alto, esse limite permitirá aos motoristas chegarem mais rápido ao seus destinos, pois não haverá parada nos cruzamentos.

A diretora de transportes diz que não compensa fazer um corredor na área central. De acordo com Magali, a abertura de uma via rápida no Centro diminuiria bastante os espaços para estacionamento, complicando ainda mais a situação do tráfego de veículos.

Segundo Bernadete, o principal entrave na sincronização de 12 sinaleiros no Centro são os problemas operacionais. “Nesta semana já foram feitas as bases para os suportes. Agora é questão operacional”, explica a diretora.

Essa questão, segundo ela, existe devido a falta de experiência de sua equipe no sistema de “onda verde”, expressão pela qual também é conhecida a sincronização dos semáforos.

Outro ponto que atrapalha o estabelecimento da “onda verde” é o próprio fluxo de veículos na região central. Bernadete esclarece que, por causa disso, o serviço de instalação do sistema tem de ser feito à noite, tornando ainda mais lenta a implantação da “onda”.

A interligação de sinaleiros no Centro também não se dá de forma mais rápida por ter demandado um “diagnóstico” antes de iniciada. “Ao contrário do que foi feito empiricamente no passado”, afirma Magaly.

Ela se refere à tentativa frustrada da administração passada em colocar em funcionamento a “onda verde”.

Bem ajustado

Bernadete explica que não existe desvantagem no sincronismo em si. Para ela, com um bom ajuste no equipamento - o controlador eletrônico de cada cruzamento - a “onda verde” costuma dar certo.

Contudo, quando tal ajuste não é feito, os semáforos param de funcionar da maneira correta. Já que trabalham em rede, quando um deixa de funcionar todos os restantes ficam defeituosos.

“Isso acontecia muito. Se começava a chover, com certeza tínhamos um problema”, lembra Bernadete da época em que trabalhou com o sistema em Campinas.

Como o equipamento fica na rua, sujeito às mudanças do tempo, faz-se necessário um cuidado especial com o controlador. “Ele precisa ser tratado com muito carinho”, sugere Bernadete.

A preocupação com o equipamento tem uma justificativa: o preço. A diretora de tráfego disse não saber o valor atual dos controladores, pois a compra dos aparelhos foi efetuada na última administração.

Mas, só para se ter uma idéia, o Departamento de Sinalização Viária (DSV) de Bauru gastou por volta de R$ 7 mil para adquirir cada controlador no final de 2002.

Na opinião dela, a “onda verde” foi implantada de forma errada em 2000. Por isso, não deu certo. “Os semáforos foram sincronizados no quadrilátero ao invés de serem postos em linha”, lembra Bernadete. “Desta forma, o motorista demorava três vezes mais tempo para chegar ao seu destino”.

Algumas pessoas com quem a reportagem do JC conversou, entretanto, parecem não se lembrar dos quatro dias de funcionamento do sincronismo em 2000. Na opinião delas, o sistema de “onda verde” pode dar certo.

Para o taxista Élvio Richieri, está difícil andar no Centro da cidade. “Abre um (semáforo), mas você chega lá na frente e pára. No da frente tem que parar de novo”, reclama ele. Já a professora Maria Conceição Sartori elogia a mudança pela qual passou o tráfego jauense nos últimos anos. “Nosso trânsito melhorou muito.”

Apesar do elogio, ela não esconde a insatisfação com o trânsito na região central da cidade. â€œÉ complicadíssimo. Então, tudo que vier para facilitar a nossa vida eu acho interessante”, diz a professora.

Trânsito livre

Ao serem sincronizados, os sinaleiros passam a funcionar pelo sistema conhecido como “onda verde”. A interligação possibilita o condutor atravessar toda extensão da via pública sem parar no sinal vermelho.

Nesse sistema, os sinaleiros vão abrindo progressivamente, seguindo um intervalo de tempo programado de acordo com o fluxo de veículos da rua.

Os motoristas, portanto, têm de manter uma velocidade compatível com essa programação para que encontrem somente sinais verdes em seu caminho.

À medida em que os motoristas se aproximam, os semáforos, interligados por cabeamento, vão se abrindo. Os equipamentos permitem diferentes programações ao longo do dia, de acordo com o volume de tráfego.

Desta forma, passar por diversos cruzamentos com o sinal sempre verde deixa o trânsito mais fluente.

A “onda verde” é hoje um recurso eficaz para amenizar o caos representado pelo tráfego intenso de veículos nas regiões centrais de cidades grandes.

Municípios como Campinas, Santos, Indaiatuba, Taubaté, Londrina e Bauru já contam com a sincronização dos semáforos em parte de suas vias.