Jaú - A região central de Jaú (55 quilômetros a Leste de Bauru) pode ter semáforos sincronizados a partir de agosto. Quem faz a afirmação é Bernadete Rossi Barbosa, diretora de tráfego e do sistema viário do município.
Um estudo realizado em conjunto pelo Departamento de Trânsito e a Faculdade de Tecnologia (Fatec) da cidade detectou 60 pontos críticos no tráfego jauense.
A pesquisa durou aproximadamente dois meses. Através dela, foram escolhidos os 12 cruzamentos que receberão a sincronização. Esses pontos não ficam exatamente no Centro, mas nas ruas próximas a ele, segundo detalhou Magaly Pazzian, diretora de transportes de Jaú.
Na verdade, o objetivo do Departamento de Trânsito é levar os motoristas a contornar o Centro pelas vias periféricas, diminuindo, assim, o tráfego da região.
“Isso fará o motorista perceber que não compensa mais andar por lá, a não ser que ele queira desenvolver alguma atividade no localâ€, aponta Bernadete. Com a “onda verdeâ€, a velocidade desses corredores não passará de 45 km/h.
Magaly afirma que, mesmo não sendo alto, esse limite permitirá aos motoristas chegarem mais rápido ao seus destinos, pois não haverá parada nos cruzamentos.
A diretora de transportes diz que não compensa fazer um corredor na área central. De acordo com Magali, a abertura de uma via rápida no Centro diminuiria bastante os espaços para estacionamento, complicando ainda mais a situação do tráfego de veículos.
Segundo Bernadete, o principal entrave na sincronização de 12 sinaleiros no Centro são os problemas operacionais. “Nesta semana já foram feitas as bases para os suportes. Agora é questão operacionalâ€, explica a diretora.
Essa questão, segundo ela, existe devido a falta de experiência de sua equipe no sistema de “onda verdeâ€, expressão pela qual também é conhecida a sincronização dos semáforos.
Outro ponto que atrapalha o estabelecimento da “onda verde†é o próprio fluxo de veículos na região central. Bernadete esclarece que, por causa disso, o serviço de instalação do sistema tem de ser feito à noite, tornando ainda mais lenta a implantação da “ondaâ€.
A interligação de sinaleiros no Centro também não se dá de forma mais rápida por ter demandado um “diagnóstico†antes de iniciada. “Ao contrário do que foi feito empiricamente no passadoâ€, afirma Magaly.
Ela se refere à tentativa frustrada da administração passada em colocar em funcionamento a “onda verdeâ€.
Bem ajustado
Bernadete explica que não existe desvantagem no sincronismo em si. Para ela, com um bom ajuste no equipamento - o controlador eletrônico de cada cruzamento - a “onda verde†costuma dar certo.
Contudo, quando tal ajuste não é feito, os semáforos param de funcionar da maneira correta. Já que trabalham em rede, quando um deixa de funcionar todos os restantes ficam defeituosos.
“Isso acontecia muito. Se começava a chover, com certeza tínhamos um problemaâ€, lembra Bernadete da época em que trabalhou com o sistema em Campinas.
Como o equipamento fica na rua, sujeito às mudanças do tempo, faz-se necessário um cuidado especial com o controlador. “Ele precisa ser tratado com muito carinhoâ€, sugere Bernadete.
A preocupação com o equipamento tem uma justificativa: o preço. A diretora de tráfego disse não saber o valor atual dos controladores, pois a compra dos aparelhos foi efetuada na última administração.
Mas, só para se ter uma idéia, o Departamento de Sinalização Viária (DSV) de Bauru gastou por volta de R$ 7 mil para adquirir cada controlador no final de 2002.
Na opinião dela, a “onda verde†foi implantada de forma errada em 2000. Por isso, não deu certo. “Os semáforos foram sincronizados no quadrilátero ao invés de serem postos em linhaâ€, lembra Bernadete. “Desta forma, o motorista demorava três vezes mais tempo para chegar ao seu destinoâ€.
Algumas pessoas com quem a reportagem do JC conversou, entretanto, parecem não se lembrar dos quatro dias de funcionamento do sincronismo em 2000. Na opinião delas, o sistema de “onda verde†pode dar certo.
Para o taxista Élvio Richieri, está difícil andar no Centro da cidade. “Abre um (semáforo), mas você chega lá na frente e pára. No da frente tem que parar de novoâ€, reclama ele. Já a professora Maria Conceição Sartori elogia a mudança pela qual passou o tráfego jauense nos últimos anos. “Nosso trânsito melhorou muito.â€
Apesar do elogio, ela não esconde a insatisfação com o trânsito na região central da cidade. â€œÉ complicadíssimo. Então, tudo que vier para facilitar a nossa vida eu acho interessanteâ€, diz a professora.
Trânsito livre
Ao serem sincronizados, os sinaleiros passam a funcionar pelo sistema conhecido como “onda verdeâ€. A interligação possibilita o condutor atravessar toda extensão da via pública sem parar no sinal vermelho.
Nesse sistema, os sinaleiros vão abrindo progressivamente, seguindo um intervalo de tempo programado de acordo com o fluxo de veículos da rua.
Os motoristas, portanto, têm de manter uma velocidade compatível com essa programação para que encontrem somente sinais verdes em seu caminho.
À medida em que os motoristas se aproximam, os semáforos, interligados por cabeamento, vão se abrindo. Os equipamentos permitem diferentes programações ao longo do dia, de acordo com o volume de tráfego.
Desta forma, passar por diversos cruzamentos com o sinal sempre verde deixa o trânsito mais fluente.
A “onda verde†é hoje um recurso eficaz para amenizar o caos representado pelo tráfego intenso de veículos nas regiões centrais de cidades grandes.
Municípios como Campinas, Santos, Indaiatuba, Taubaté, Londrina e Bauru já contam com a sincronização dos semáforos em parte de suas vias.