11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

REPÓRTER CINEMATOGRÁFICO (PROFISSÃO PERIGO À ESPERA DO RECONHECIMENTO)


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Acompanhando os noticiários televisivos sobre a guerra, lendo o JC do dia 20/4, na pág. 24, li um título em destaque, “Soldados matam cinegrafista”, e na mesma página estampada uma foto de um amigo de profissão, com uma câmera na mão, sem sombra de dúvida uma verdadeira arma, com uma diferença das armas assassinas: ela (câmera) não mata, não fere, mas mostra a realidade através das imagens captadas na hora certa, no lugar certo, apenas registra os fatos, as imagens não mentem são reais quando captadas na íntegra.

Observando a foto do amigo na pág. do JC, o olhar fixo no winfiender da câmera na captação das imagens dos jovens atirando pedras contra os veículos israelenses, e foi atingido por uma bala que os atiradores que abriram fogo contra o indefeso cinegrafista Nasib Darwazeth, 45 anos, pai de família, repórter cinematográfico de uma TV palestina, não apenas um simples apertador de botão Rec, mas um amigo no exercício da profissão perigo, foi atingido na face, que muitas vezes se torna o escudo e nós repórteres cinematográficos, somos a mira da linha de frente das emissoras de TVs, muitas vezes as balas que partem das poderosas armas atingem o alvo errado matando pessoas e seres indefesos, estamos exercendo a profissão e gostamos de mostrar os fatos através das imagens, é nossa profissão, repórteres cinematográficos e jornalistas não só da Palestina mas de todo mundo, somos parceiros na mesma luta, estamos diante das tragédias diárias do nosso cotidiano, estamos diante do fogo cruzado, as pautas das grandes tragédias não escolhem hora e momento para serem atribuídas e passadas para nós, irmãos da mesma batalha televisiva. De repente estamos diante dos grandes shows, da vida, diante das cassações de prefeitos e vereadores, afundamento de barcos de turismo, assaltos a banco, rebeliões nas Febens, seqüestro, assassinatos em famílias, fogo nas favelas, acidentes e grandes tragédias, atropelamentos e mortes no trânsito caótico de nossa cidade, buracos nas ruas, balas perdidas, dos tanques de guerras, das modernas armas químicas, nucleares e atômicas, a nós direcionadas sem a proteção, pois nossa face é a primeira a ser alvejada sem nos dar a mínima chance de defesa.

Por que estou relatando este fato? Por amor à profissão, pois nós, repórteres cinematográficos, somos os responsáveis pelas imagens que ficam registradas para sempre em nossa memória e nos arquivos históricos das TVs, imagens, marcantes ou não, são sempre a essência, e a razão de ser da televisão que está em todos os lares, em todas as partes, imagens que não nascem apenas do nada, não são registradas por acaso ou no acaso por “simples apertadores de botão Rec”, elas são frutos do trabalho, da coragem, persistência e da nossa sensibilidade que muitas vezes mexe com nossos sentimentos, abala o emocional, mas faz parte da profissão, somos a mira da linha de frente da TV: os repórteres cinematográficos. Uma boa reportagem de TV não depende, necessariamente, de um repórter, produtor, editor ou do diretor de imagens, um belo documentário pode ser uma aula de jornalismo sem um apresentador mas, em televisão, nada existe sem o registro do repórter cinematográfico. A importância do câmera, no entanto, está longe de ser reconhecida de fato e direito pelas chefias e, até, por muitos colegas de jornalismo que nada seriam sem a modesta fita cheia de imagens de vidas, tragédias e violências de guerra, alegrias e tristezas, paisagens, erosões e muitas verdades, captadas por nós cinegrafistas que trazemos religiosamente as imagens para as redações para serem editadas. O meu motivo de orgulho de ser um desses é fazer parte da profissão e ser mais um, entre tantos espalhados por todo mundo a procura das belas imagens ainda que, às vezes, árduas mas compensadoras.

Com certeza a imagem continua sendo o item imprescindível na TV, de minha parte, reforço os meus sentimentos pela morte do amigo de profissão, aos cinegrafistas das longas e duras jornadas quase sempre despercebidas e me atrevo a sugerir, aos jovens companheiros jornalistas, que procurem conhecer um pouco mais o colega repórter cinematográfico que está do seu lado, na linha de frente, com certeza ele tem muito a acrescentar no trabalho de hoje e experiência profissional para o resto da sua vida, cada reportagem é uma história, cada imagem é uma lembrança, boa ou ruim mas muitas imagens permanecem vivas como as imagens do sorriso de uma criança. Lembre-se, a TV sempre foi e será um trabalho de equipe. (Jaime Prado - rep. cinematográfico da TV USC)