09 de julho de 2026
Cultura

Kid Abelha vence o tempo

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 2 min

Quando a experiência é boa, por mais que ela dure, no final, sempre fica a sensação de que ela não foi o suficiente. O show do Kid Abelha, quinta-feira no Kart Indoor, foi assim. Em uma hora e meia a banda mostrou quase todas as canções gravadas no CD “Acústico MTV” e ainda brindou o público com músicas “que não podiam faltar”, como justificou Paula Toller, entre elas “Pintura Íntima” e “Como Eu Quero”. Poderia ter durado mais.

Assim como aconteceu no show dos Titãs, que estiveram na Luso no ano passado, o que me surpreendeu foi a disposição de todos no palco. Confesso que estava esperando aquele acústico do banquinho e violão. Me enganei. O banquinho até estava lá, mas veio e foi várias vezes, dinamizando a apresentação. Nem parecia que a banda, como trazia escrita a blusa de Paula no final do show, é da safra de 1982.

Com um ar pra lá de jovial, tendo um cenário belíssimo de fundo, Paula - desde sempre a alma do grupo - cantou, conversou com o público, dançou e, sobretudo, brincou, em certos momentos chegando a parecer uma menina, que se diverte por estar mostrando seus talentos.

Se havia alguma dúvida sobre sua simpatia (ela carrega uma certa fama de antipática) ela se dissipou completamente, pelo menos para quem estava no Kart, que foi tomado por uma festa assim que o show começou, apesar do espaço não ajudar e o equipamento de som ter deixado a desejar em alguns momentos.

A viagem no tempo nesses casos é inevitável (vi meu primeiro show do Kid Abelha há 16 anos!) e prazerosa quando se percebe que pequenos hinos da adolescência na década de 80, como “Os Outros” e “Fixação”, continuam legais e - melhor - na ponta da língua da galerinha que me cercava por todos os lados. Perceber o passar dos anos dessa maneira nem é ruim.