08 de julho de 2026
Regional

Preso de Iaras e sua mulher são mortos

Thaís da Silveira (*)
| Tempo de leitura: 3 min

Iaras - Um detento da Penitenciária Orlando Brando Filinto, de Iaras (SP), considerado um dos fundadores do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi assassinado na tarde de sábado dentro de uma cela. Sua amásia foi morta a tiros logo depois de visitá-lo na prisão.

José Eduardo Moura da Silva, o Bandejão, 41 anos. Sabe-se que ele é natural de Itabuna (BA). A amásia, Cláudia Bonane, 30 anos, morava em Osasco.

Pouco depois das 16h, logo após a saída de sua mulher, Silva voltava para sua cela e teria sido puxado para dentro da cela 401, onde foi enforcado e esfaqueado.

Segundo o diretor do presídio, Roberto Medina, os agentes penitenciários haviam sido distraídos pouco antes por uma confusão criada por 100 detentos.

O corpo foi apresentado aos agentes penitenciários logo após o encerramento do horário de visitas. Outros dois detentos, José Pereira da Silva, que está cumprindo pena de 44 anos e cinco meses, e Luiz Eduardo Qualho, condenado a 12 anos e oito meses, teriam confessado a autoria do crime mas só devem prestar depoimentos hoje.

Ambos estão isolados em celas separadas e serão colocados em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) em Presidente Bernardes, Avaré ou Taubaté. “Quando eles assumem é porque foram mandados”, diz Medina. O diretor informou que Bandejão não havia relatado nenhuma ameaça de morte.

De acordo com o Instituto Médico Legal (IML) de Avaré, Silva morreu por hemorragia e asfixia por estrangulamento.

O corpo apresentava mais de dez perfurações no lado esquerdo do peito e mais de dez perfurações no pescoço, na altura do “pomo-de-adão”. As perfurações foram feitas com uma espécie de estilete improvisado e atingiram o coração e o pulmão.

O detento também apresentava fratura de costela, pescoço e coluna. Havia sinais de tortura já que no pescoço da vítima havia uma corda de náilon com pedaços de cabo de vassoura amarrados nas extremidades - supostamente utilizados para estrangulamento gradual.

Cláudia estava na estrada que liga Iaras a Águas de Santa Bárbara como carona de um Logus de Caçapava (SP). O veículo o foi fechado por um outro carro, a dois quilômetros do presídio.

Alguns homens ordenaram que outras três mulheres que estavam no veículo descessem e dispararam contra a amásia, que estava dentro do veículo. A mulher foi atingida com três tiros de calibre 38 na cabeça, um na mão e um no ombro.

O motivo dos crimes e a relação entre eles ainda não foram esclarecidos pela polícia, que suspeita de disputa de poder dentro da organização criminosa. Como a mulher também foi assassinada, a polícia também está investigando se o crime foi motivado por vingança pessoal.

Um funcionário da penitenciária de Iaras, cujo nome está sendo preservado, informou que desconhecia desavenças entre Silva e outros detentos. “Só ficamos sabendo depois que acontece”, diz.

O funcionário também informou que, durante os meses em que Silva esteve em Iaras, ele não deu problema. O detento, condenado a 64 anos e sete meses de prisão, havia chegado a Iaras em fevereiro. Ele estava dentro do esquema de rodízio de presos perigosos adotado pelo governo estadual.

Até o final da tarde de ontem, os corpos estavam no IML e os parentes não haviam comparecido para retirá-los.

Na delegacia e na penitenciária de Iaras, os funcionários recusaram-se a fornecer outras informações ao JC.

O assassinato de Bandejão foi o quarto com as mesmas características dentro da penitenciária de Iaras. Em março do ano passado, Alcides Sérgio Delassari, 36 anos, o Blindado, e Dionísio César Leite, 34 anos, o Cezinha, ambos do segundo escalão do PCC, foram mortos porque teriam passado informações para a polícia.

Alguns meses depois, outro membro da organização, conhecido como Santissa, foi assassinado da mesma forma: enforcado e esfaqueado.

(*)Com agência Folha