10 de julho de 2026
Polícia

Um cachorro e dois gatos são mortos na Bela Vista

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Um cachorro da raça boxer e dois gatos sem raça identificada foram mortos aparentemente por envenenamento, no domingo, no Jardim Bela Vista. Dois animais pertenciam às proprietárias da clínica veterinária situada na quadra 5 da rua Silva Jardim. O outro bicho era de um vizinho próximo, morador da quadra 3 da rua Carlos Marques.

De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado no 1º Distrito Policial (DP), a primeira morte foi constatada no domingo pela manhã, quando uma das vizinhas da clínica procurou Natália Braga Simão, veterinária e dona do estabelecimento, para informar que um gato dela estava morto no quintal de sua casa.

Se valendo da experiência profissional, Natália verificou que o animal fora vítima de envenenamento, assim como a gata de Cirineu Romani, morador da rua Carlos Marques, que procurou atendimento na clínica, mas não conseguiu salvar a vida do animal.

A segunda morte ocorreu pouco depois da constatação da primeira. Já a terceira foi verificada ontem pela manhã, quando o boxer foi encontrado morto pela sócia de Natália, Ana Lúcia Geraldi Segalla, que acionou a Polícia Militar (PM). Também esteve no local a Polícia Científica que, através de laudo, vai ajudar a identificar as circunstâncias em que ocorreram as mortes.

“Quando eu fiquei sabendo, estava em Botucatu justamente fazendo um curso sobre envenenamento. Meu cachorro está com as patas arranhadas de tanto se debater devido a convulsões, característica clássica do envenenamento. Nós estamos em luto e revoltados”, conta Ana Lúcia.

Freqüência

De acordo com ela, o problema é freqüente e por essa razão, desde agosto do ano passado, a hospedagem do canil da clínica foi desativada. “Na época, uma gato sumiu e, uma semana depois, outro desapareceu. Acontece sempre quando não tem ninguém aqui. Parece que tem gente acompanhando nossa rotina. Graças a Deus não aconteceu nada com o cachorro de um cliente que estava preso. A gente não tem provas contra suspeitos, mas sérias desconfianças”, comenta a veterinária.

A suposição foi registrada no plantão policial, conforme recomendação da delegada da Organização Não-Governamental (ONG) Mountarat - Sociedade de Proteção Ambiental -, Damair Pereira de Almeida.

“Casos dessa natureza são mais freqüentes no Jardim Bela Vista e no Parque Vista Alegre, mas pouca gente procura a polícia para fazer boletim de ocorrência. É bom indicar nomes, porque as vítimas geralmente têm razão quando apontam alguém. Normalmente são pessoas que não gostam de animais ou estão defendendo território porque têm passarinhos, por exemplo”, explica Damair.

Segundo ela, só nesse ano, pelo menos 15 casos de mortes de animais foram registrados na cidade, embora a polícia não tenha sido notificada das ocorrências.

O último deles foi registrado em março, quando seis gatos foram mortos na quadra 6 da rua João D’Aro, na Vila Independência. Pouco mais de 20 dias antes, outros três morreram no Núcleo Beija-Flor de maneira semelhante, com características típicas de envenenamento.

Mesmo assim, provavelmente devido às poucas notificações, o delegado titular do 1º DP, Ronaldo Divino, considera incomum casos de crueldade contra animais na região.

“Além do trabalho da Polícia Científica, as proprietárias da clínica também recolheram as vísceras dos animais para providenciar exame em laboratório particular. Com os laudos, vamos tentar identificar o responsável pelo crime”, esclarece o delegado.

O autor do delito, se localizado, ficará sujeito a uma pena restritiva de direito determinada pelo juiz, normalmente convertida em algum tipo de prestação de serviço à comunidade, acrescenta Divino.