09 de julho de 2026
Bairros

HE permite redistribuição de pacientes

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

Dentro de um mês, parte dos pacientes até agora encaminhados ao Hospital Manoel de Abreu serão internados no Hospital Estadual (HE), que no decorrer desse período disponibilizará 210 leitos, entre enfermaria e unidade de tratamento intensivo (UTI). Com a redistribuição, o Hospital Manoel de Abreu se especializará na área de oncologia (tratamento de câncer), infectologia e psiquiatria.

Atualmente, o hospital dispõe 72 leitos, que são distribuídos indistintamente entre pacientes da oncologia, da infectologia e da clínica geral. Com a reformulação do perfil e com a conclusão da reforma do prédio, o hospital passará a disponibilizar 118 vagas, sendo 54 para oncologia, 32 para infectologia e 32 para psiquiatria.

“Originalmente trabalhávamos com 160 leitos porque oferecíamos quatro camas por quarto. Atendendo às reivindicações da Vigilância Sanitária, vamos operar com apenas três leitos”, explica o administrador da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), José Cardoso Neto.

A AHB mantém a Maternidade Santa Isabel e os hospitais Manoel de Abreu e Base.

De acordo com Cardoso, as alterações implementadas pela Direção Regional de Saúde (DIR-10) podem resultar na contratação de novos médicos para atuar nas três áreas específicas. Hoje, 24 profissionais se revezam no atendimento dos pacientes. Eles contam com o respaldo do corpo clínico do Hospital de Base.

“Vamos acompanhar todo o processo de mudança para posteriormente reavaliar nossas necessidades. Mas a idéia é transformar Bauru em centro de referência em outras áreas, como a oncologia. Muitos pacientes deixam a cidade para fazer tratamento em Jaú, por exemplo. Vejo a transferência de atribuições com bons olhos”, comenta.

Com base nos números apresentados pela AHB, o JC constatou que uma média de 28 pacientes de clínica geral seriam transferidos para o Hospital Estadual, que anteontem colocou em funcionamento cinco leitos de UTI para adultos e amanhã, passará a oferecer mais cinco leitos de UTI infantil. Ontem, 21 leitos para clínica adulta foram disponibilizados para que a demanda do Manoel de Abreu seja transferida aos poucos.

Central de Vagas

Porém, para que a nova vocação do hospital seja implementada, os pacientes serão dirigidos até ele através da Central Reguladora de Vagas (CRV), órgão da Direção Regional de Saúde (DIR-10) que tem a incumbência de identificar leitos para os pacientes que dão entrada no Pronto-Socorro Central (PSC), conforme explica o diretor técnico da DIR, Affonso Viviani.

Anteontem, ele reuniu representantes dos hospitais e da Secretaria Municipal da Saúde para explicar o novo funcionamento do CRV, que teve suas atribuições ampliadas devido à inauguração de serviços do HE. Anteriormente, ela se restringia a localizar leitos em hospitais da região para casos de pacientes que não conseguiam atendimento no município.

“A mudança no perfil de atendimento será melhor em todos os sentidos. Os reflexos serão percebidos com mais rapidez no Pronto-Socorro e na UTI do Hospital de Base”, comenta Viviani. Com a abertura de novos leitos de tratamento intensivo no HE, os casos de UTI clínica, ou seja, de pacientes com quadro estabilizado que permaneciam no Base, serão remanejados para o HE. O Hospital de Base trabalhará especialmente com os casos de urgência e emergência.

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Pronto-Socorro

A permanência dos pacientes no Pronto-Socorro Central (PSC) deve ser mais rápida com a abertura dos leitos de enfermaria e das unidades de tratamento intensivo (UTI) de adulto e infantil do Hospital Estadual (HE) e com a conseqüente readequação do Hospital Manoel de Abreu.

Essa é a expectativa compartilhada pelo diretor técnico da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Affonso Viviani, e da secretária municipal de Saúde, Sônia Fiocchi, que a medida eleve a qualidade do atendimento prestado nos prontos-socorros.

Segundo Fiocchi, embora a estada de um paciente no pronto-socorro não deva ultrapassar as 24 horas, conforme recomenda o Ministério da Saúde, hoje a média de permanência é superior a 67 horas.

“O PS tem de ter leito para observação, não leitos para internação. O paciente sempre acaba atendido, mas não é o local adequado para ele. A situação provoca estresse na equipe médica, que fica sobrecarregada. Agora, a CRV fará o encaminhamento que antes era feito através do contato direito do PS com os hospitais”, esclarece.

Segundo o planejamento da DIR-10, os pacientes clínicos serão distribuídos entre os hospitais de Base e Estadual, conforme as características do quadro de saúde. As urgências e emergências permanecerão no Hospital de Base. Atualmente, o PSC dispõe de 14 leitos.

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História

O Hospital Manoel de Abreu foi criado em janeiro de 1951 como sanatório contra a tuberculose. Ele foi fundado através de uma campanha nacional que destinou verbas para construção do prédio em terrenos doados pela família Salvador Fillardi.

De acordo com a assessoria de imprensa da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), naquela época, havia muitos casos de tuberculose entre a população que vivia à margem da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e isso levou os ministérios da Educação e Saúde a determinarem a instalação do estabelecimento.

Com a evolução da medicina, o sanatório passou a hospital e foi gerenciado pelo governo de São Paulo em convênio com a União. Porém, em março de 1988, o Estado transferiu a responsabilidade pela gestão do hospital à AHB, que o transformou em unidade de internação.