09 de julho de 2026
Turismo

Prazeres de Portugal

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Dizem que a distância não apaga os amores. Muito pelo contrário, acaba reacendendo a velha chama. É o que acontece com os brasileiros que vão e voltam de Portugal, mantendo laços mais do apertados.

A explicação para todos gostarem tanto da “terrinha” estando a milhas de distância, está na língua, nos costumes, na gastronomia e no fato de Portugal ser a prova viva de nosso passado. Por todo canto está intacta a história de nossos colonizadores.

Gente como Dom Afonso, Dom Henrique, o navegador, Pedro Álvares Cabral, Camões e Fernando Pessoa que tornaram Portugal, no passado, uma potência econômica e cultural e o maior centro desbravador marítimo do continente.

Quem desembarca em uma das portas de entrada do país - Lisboa ou no Porto - sente o coração bater mais forte. Uma emoção que difere daquela carregada de adrenalina quando é vencida a barreira aduaneira em outros países. Nesses, o que move os turistas são as diferenças de cultura e o atrativo pelo novo.

Em Portugal, a visita é cercada de abrigo, proteção e mimo. Como se o passeio fosse na casa de um parente.

As cidades portuguesas, pequenas ou grandes, de Leste a Oeste e de Norte a Sul, lembram as brasileiras, pelo menos aquelas da época da colonização. Têm ladeiras, casas com eira e beira, paredes caiadas e janelões de onde debruçam gerânios e outras flores de colorido intenso.

Lisboa

Com cerca de 900 mil habitantes, Lisboa é aconchegante. Pelas ruas que levam à Alfama circulam os velhos bondinhos amarelos com ares de nostalgia. As igrejas e museus exibem espetaculares obras de arte, o cheiro dos pastéis de Santa Clara exala pelas ruelas e as casas de fado convidam ao abrigo.

Lisboa, que está toda remodelada e mais atraente aos visitantes, reserva lugares incríveis que lembram a época áurea quando Dom Manuel I (1495-1521) revolucionou a arquitetura gótica. Graças e ele foram incorporados elementos decorativos rebuscados e únicos, tornando Portugal diferente.

O estilo “manuelino” acabou com a morte de seu filho, o jovem rei Dom Sebastião nas Cruzadas (seu corpo nunca foi encontrado e ele é considerado um santo) mas ainda pode ser observado em muitos lugares.

Mas a viagem ao tempo vai muito além na capital lisboeta, passando por uma série de mosteiros com naves recobertas dos famosos azulejos azuis - símbolo português presente em várias cidades brasileiras, como São Luís, Salvador e Recife - palácios, túmulos reais, arcos, fontes e praças, monumentos como o dos Navegantes e mosaicos como a “rosa dos ventos”, um dos cartões postais da cidade.

Como Lisboa, em 1755, foi assolada por um grave terremoto, parte da cidade é nova aos olhos do mundo, reconstruída por obra do então primeiro ministro Marquês de Pombal.

A capital portuguesa ganhou ares modernos com a criação de praças amplas, como a Praça do Comércio e o bairro comercial de Baixa. Lugares que diferem completamente dos bairros não atingidos pelo desastre e que tornam a cidade ainda mais atrativa, por reunir o novo e o velho a apenas poucos quarteirões.