“Oi colegas! Olha eu aqui, novamente. Vocês se lembram de quando contei minha pescaria no rio Aquidauana, onde peguei uma peixada fora do normal? Pois agora vou relatar o que aconteceu quando fomos comemorar o sucesso dessa tal pescaria (edição de 13/2/2003).
Como não poderia ser diferente, a turma somava eu, meu pai, alguns amigos, o tio Eli e seus dois filhos Martim e Moisés, meu avô Zé (bom e muito mateiro) e ainda, não poderia deixar de relatar, meu irmão Wellington, que é experiente pescador, pena que não tem o dom de contar suas histórias, já que viveu muitas por essas barranqueiras de rio.
Aliás, muitas aventuras de pesca, tanto no Estado de São Paulo quanto no lindo pantanal matogrossense. Fomos comemorar a façanha da tal pescaria no rancho do nosso amigo Milton Bittencourt (aposentado da CEF), na barranqueira do rio Tietê, nas proximidades da barragem de Bariri.
Para a comemoração, presenteei os meus amigos com um surubim de 130 quilos, que eu peguei naquela pescaria do rio Aquidauana, e como não poderia ser diferente, levei minha famosa “traia”. Enquanto os convidados preparavam uma moqueca de surubim, peguei minha preciosa vara com molinete e fui para a beira do rio tentar mais uma das minhas façanhas. Digo beira do rio porque meu pai não deixou eu e meu primo sairmos com o barco do estaleiro, que tanto serve para pescar quanto para embarcadouro.
Ah! Eu já estava esquecendo de relatar que na comemoração também estava presente o estimado companheiro e excelente cozinheiro, o funileiro Humberto Carazatto.
Eu já estava quase enjoado de ficar à espera da boa vontade e fome de alguns peixes quando, para minha surpresa, veja só o que aconteceu. Não é que um pintado, que pesou 32 quilos, veio abocanhar a isca que eu usava, uma piaparinha, com uns 200 gramas?
A tristeza é que, por ser uma simples comemoração de uma vitoriosa pescaria no pantanal, eu não tinha levado minha famosa máquina fotográfica para registrar a captura desse enorme pintado, nas barranqueiras do nosso lendário rio Tietê.
Mas o interessante foi a sorte que esse pintado teve. Meu pai, bom conhecedor de lei, fez com que eu soltasse tal peixe, me convencendo que a lei n.º 11.221 de 24/7/2002, em seu artigo 5.º, diz que é vedado a captura do pintado e outros peixes que se encontrarem em extinção, permitindo somente o “pesque e solte”? Sorte dele e azar meu, que não pude trazer o troféu.
Para finalizar esta história, fica o meu abraço a todos os pescadores, principalmente aos contadores de histórias. Acredite se quiser, pois esta sim foi verdadeira.” (Wagner Pereira Brasil tem 11 anos, é pescador e contador de histórias em Bariri)