O presidente da Associação dos Moradores das Pousadas da Esperança 1 e 2, Natalino David da Silva, acredita que as propostas da Federação da União das Associações de Moradores de Bauru e Região Centro-Oeste terão pouco impacto. “Preferimos não tomar parte delas. Os líderes comunitários têm pouco tempo disponível e não podem gastá-lo em mais reuniões, como propõe a federação”, apina.
Para ele, a saída está nas parcerias. “Muita gente deveria seguir o nosso exemplo. Fazemos um trabalho conjunto com a comunidade. No domingo, estaremos distribuindo agasalhos e cestas básicas para os mais carentes”, conta.
O coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, afirma que o presidente de associação é obrigado a exercer múltiplas funções, o que acaba afastando possíveis candidatos. “É quase um celibato. A pessoa está na casa dela e, de repente, é chamada para resolver uma briga entre vizinhos, a falta de comida ou de material escolar. A sociedade atual é muito individualista, mas não era para ser assim.”
Ele diz que o uso político de algumas associações também contribui para a questão. “Tem gente que assume o cargo pensando em se eleger vereador, mas depois não consegue e acaba se afastando”, frisa.
Brito acredita ainda que muitas entidades não possuem uma estrutura mínima para funcionar. “Às vezes, os dirigentes pedem até para tirarmos cópias de documentos. Outros não têm nem passe de ônibus para irem à prefeitura fazer uma reclamação.”
Ele afirma que os líderes comunitários precisam de uma melhor orientação para que as associações voltem a funcionar plenamente. “Eles pedem para o prefeito algo que é de responsabilidade do Departamento de Água e Esgoto (DAE), por exemplo. Acho que alguma universidade de Bauru poderia colaborar, oferecendo cursos de capacitação”, sugere.