Desde o mês passado, quem visita presos na Penitenciária 2 de Bauru tem que passar por um identificador de impressão digital na entrada e saída do prédio. Os detentos também estão sendo cadastrados no novo sistema de segurança do presídio, que é totalmente informatizado.
Os principais objetivos são criar um banco de dados para controlar a entrada e saída de visitas e impedir que presos fujam da instituição, trocando de lugar com seus visitantes - fato que já ocorreu em Bauru. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, a P2 não é a pioneira a informatizar seu cadastro, mas ainda é umas das primeiras.
O sistema de controle carcerário chamado CAD2003 foi criado para a penitenciária pela empresa bauruense ITS, e poderá funcionar como o banco de dados geral e de controle da instituição. “O programa permite controlar a portaria, as visitas, a produção, a parte judiciária e as fichas médicas dos detentos quando estiver 100% implantado. Só precisamos de terminais de computadores em todos os setores”, explica o criador do sistema e funcionário da ITS, Walter Jager.
Atualmente, só o controle dos detentos e as visitas estão sendo monitorados pelo CAD2003. Todos os cerca de 900 presos foram cadastrados nos últimos meses, com dados pessoais, descrição, motivo da pena, foto e impressão digital dos dez dedos das mãos.
Todos os visitantes, ao longo dos últimos dois meses, também foram cadastrados, com impressão digital, e receberam uma carteira de identificação com nome, nome do detento a ser visitado, código de barra e foto.
Ao chegar na penitenciária nos dias de visita, o visitante apresenta sua carteirinha para leitura do código de barras. Em seguida, coloca qualquer dedo das mãos num aparelho que, ligado ao computador, realiza a leitura de impressão digital. Em seguida, o sistema indica se a pessoa é a mesma que foi cadastrada.
Se for liberada, passa pela revista corporal e de pertences, e pode entrar na instituição. Na saída, o processo de conferência é o mesmo, com apresentação da carteira e verificação da digital.
“O sistema impede que um preso saia no lugar de um visitante. Se um detento colocar o dedo no leitor de digital, a foto dele vai aparecer na tela, o sistema vai acusar, e saberemos que ele está tentando escapar. Desde a implantação do sistema, não aconteceu nada assim, porque acaba inibindo as fugas”, afirma Luís Fernando Alves, diretor de reabilitação da penitenciária.
Cada detento tem direito a ter dez visitantes adultos cadastrados, e só recebe visitas de pessoas autorizadas por ele.
O sistema também está programado para autorizar somente a entrada de parentes de primeiro grau, como pais, filhos, irmãos ou cônjuges, nos dias normais de visitas, aos domingos. Outros cadastrados, como cunhados, sogros, primos ou amigos, só serão liberados pelo sistema nos dias especiais - cada detento só pode receber a visita de três adultos por dia, no máximo.
Se um visitante ainda não possui cadastro no sistema, há uma equipe preparada nos dias de visita para realizá-lo. Na próxima visita, ele já pode retirar sua carteira de identificação.