10 de julho de 2026
Polícia

Dise apreende livros de contabilidade de 'firma' que comercializava crack

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru apreendeu livros de contabilidade de tráfico de crack. A.C.S., 31 anos, (só as iniciais do nome foram divulgadas pela polícia) foi presa em uma casa na rua Alfredo Ruiz, no Centro, onde havia vários tipos de materiais que indicavam que no local a droga era preparada e embalada para venda.

Os livros revelam que o tráfico era tão organizado quanto uma empresa devidamente legalizada. Além de nomes e telefones de consumidores, os livros contêm dados sobre receitas e despesas. Todos os gastos e recebimentos eram anotados diariamente para, no final, apontar o lucro. Através das anotações, os policiais vão tentar identificar os demais envolvidos no tráfico.

Os depósitos bancários eram todos computados, assim como os saques e para quem a quantia era destinada. Só para se ter uma idéia, em uma das retiradas, os envolvidos pegaram cerca de R$ 15 mil do banco para pagar uma pessoa identificada no livro por uma sigla. Para não atrapalhar as investigações, a polícia não revelou o significado da sigla.

Em um dos cômodos da casa da acusada, a equipe de investigação da Dise encontrou materiais próprios para preparação e embalagem de crack. Colheres com resquícios da droga, luvas cirúrgicas, máscaras, sacos e sacolas plásticas cortadas em tamanho adequado para embrulhar uma pedra de crack evidenciaram para a polícia o tipo de droga que era embalada no local.

O cômodo onde a droga era preparada, possivelmente com a adição de substâncias para aumentar a quantidade, exalava odor de crack, comentou o titular da Dise, delegado José Henrique Gomes dos Santos. “A acusada admitiu que preparava crack no local e que havia entregue a droga recentemente para uma pessoa que está sob investigação”, conta.

A mulher foi autuada em flagrante pelo artigo 13 da Lei 6.368/76 (lei de entorpecentes) e encaminhada para o Presídio Feminino de Cabrália Paulista, onde aguardará decisão judicial. O titular da Dise promete investigar minuciosamente os dados contidos nos livros da empresa. “Cada uma das siglas e gírias e todas as pessoas citadas serão alvos de investigação minuciosa. Pretendemos desbaratar essa quadrilha que faz o tráfico de crack em Bauru”, garante.

Uma das observações feitas pela equipe de investigação é que os mototaxistas estão transportando os “aviões” (pessoa que entrega droga). “Eles transportam aqueles que vão entregar a droga, e não a droga”, frisa o delegado. Pela contabilidade é possível saber que um “avião” ganhava R$ 20,00 por dia. O transporte era pago pela “firma” e não pelo “avião”.

Início da trama

Há um ano, a Polícia Militar prendeu uma mulher que comercializava crack no Núcleo Geisel. Após a prisão, a Dise recebeu inúmeras denúncias de que a venda da droga tinha passado para as mãos de outras duas pessoas.

Investigações contínuas deram conta de que A.C.S. era uma das substitutas. Ontem, a mulher foi presa e os objetos encontrados em sua casa foram apreendidos.