Se o seu veículo passa mais tempo parado em uma oficina do que estacionado na garagem de casa, certamente a idéia de trocar de carro já passou pela sua cabeça algumas vezes. Só que como a grana anda curta, invariavelmente a idéia é adiada ou até mesmo abandonada, mesmo que os gastos no mecânico continuem.
Mas será essa a melhor atitude? Para um representante de concessionária, um garagista e um economista entrevistados pelo AutoMercado&Cia, a resposta é não. O gerente de vendas Renato Tambara Neto, da concessionária Baurucar/Volkswagen, é um dos que pensam diferente quando um automóvel começa a dar mais “dores de cabeça” do que conforto e praticidade ao seu proprietário.
Segundo Renato, esse é o principal “aviso” de que chegou a hora de trocar de carro. “Quando ele começa a dar gastos periódicos é o momento de substituí-lo”, considera ele. “Às vezes, a pessoa deixa de comprar um auto novo, mas continua gastando na manutenção do seu usado valores próximos ou até equivalentes a parcelas do financiamento de um zero quilômetro”, acrescenta.
Desta forma, continua Renato, bastaria ao dono do carro problemático esforçar-se um pouco mais para dar o “pulo do gato”, ou seja, destinar a vaga na garagem a um outro veículo.
O gerente da concessionária sustenta, ainda, que outros dois fatores também são fundamentais para se decretar a troca de um automóvel: a idade e o momento atual do ramo automobilístico. “Por melhor que ele seja e que se efetue revisões, um carro com dois ou três anos de fabricação dará defeitos”, destaca Renato.
Além disso, frisa ele, a situação atípica de vendas do mercado automotivo aliada à extrema concorrência entre as montadoras também facilita a concretização de bons negócios no segmento dos novos. “É uma das melhores horas para se comprar, pois além das várias promoções, o consumidor ganha com a boa valorização do seu usado”, enfatiza.
Para o economista bauruense Carlos Roberto Sette, trocar de carro é um desejo eterno de consumo para os brasileiros e, além de concordar com os pontos levantados pelo gerente da concessionária para auxiliar nesta decisão, ele também chama a atenção para um outro.
Trata-se da desvalorização que os automóveis sofrem ao longo dos anos. Desta forma, quanto mais velho um carro, menor seu valor comercial e, conseqüentemente, seu “peso” como entrada em um eventual financiamento. “Isso obrigará a pessoa a ter de desembolsar mais dinheiro na troca por um zero quilômetro. Por essa razão não se deve adiar demais a substituição”, alerta Sette.
O gerente Renato também cita um exemplo prático dessa situação. Para adquirir um Gol 2003 quatro portas, o consumidor terá de pagar aproximadamente R$ 22 mil. Se um Gol 2001 entrar no negócio, bastará ao interessado quitar junto à concessionária entre R$ 6 mil e R$ 7 mil para ter o zero na garagem.
Entretanto, se a pessoa possuir o mesmo modelo, só que do ano de 1998, a contrapartida para a agência quase dobra, aumentando para R$ 11 mil. “Se a troca é feita periodicamente, esse valor a ser desembolsado não é muito alto”, salienta Renato. Por isso, ele aconselha aos proprietários a não permanecerem muito tempo com um veículo “velhinho”.
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Os precavidos
É melhor prevenir que remediar, diz o velho ditado, que é seguido à risca por muitas pessoas. É o caso da salgadeira Nilza de Oliveira, 52 anos, moradora da Vila Falcão.
Ex-proprietária de um Gol 1997 duas portas e incentivada pelo marido, Nilza trocou-o recentemente por um outro veículo do mesmo modelo e marca, só que 2003 e quatro portas. Ela explica que, apesar de quase não ter esquentado a cabeça por causa de problemas mecânicos, resolveu substituí-lo antes que eles começassem a ponto de incomodá-la.
“Acho melhor assim, pois já estava com ele há seis anos e, nessa idade, o veículo fatalmente iniciaria a apresentação de defeitos e a preocupação com a manutenção aumentaria, como trocar pneus. Por isso, troquei por um zero quilômetro para ficar, pelo menos, mais seis anos sossegada”, enfatiza ela.
Outro que também confia que a prevenção é o melhor caminho é o comerciante Antonio Pereira de Oliveira, 42 anos, que trocou, em julho do ano passado, uma D20 por um Gol 2003. “Além de ter garantia, estou montado em algo novo em folha e que não me dará trabalho com a conservação por um bom tempo”, frisa Antonio.
Para ele, que a exemplo de Nilza também não passou dificuldades com seu auto antigo, ficar com um carro que apresenta defeitos constantes não compensa. “Se meu veículo tivesse me dado dor de cabeça com a parte mecânica, certamente o teria vendido mais cedo e adquirido um novo”, garante ele.
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Opções ‘populares’
Se você é dono de um “velhinho” e o orçamento doméstico não lhe permite comprar um zero quilômetro, não precisa se desesperar. Com um pouco de esforço e uma quantia não tão assustadora de dinheiro, é possível efetuar bons negócios no mercado.
É o que demonstra o garagista José Fernando Delazari, proprietário da JF Automóveis. Além de concordar com todos os fatores citados que influenciam na decisão para trocar de carro, ele ressalta que os proprietários de veículos mais antigos podem, em um curto espaço de tempo, ter um auto seminovo ou até mesmo zero quilômetro na garagem.
Para isso, Delazari destaca que, em cada troca, a idade do novo veículo deve ser diminuída em, pelo menos, dois anos. Ele cita um exemplo. “O dono de um Corsa 94, atualmente estimado em R$ 8 mil, pagaria cerca de R$ 9.500,00 em um mesmo modelo 96 e R$ 10.500,00 em um de 98. Desta forma, a diferença de preço entre o carro dele e os que ele pode adquirir é pequena e viável de ser bancada”, ressalta ele.
Além disso, acrescenta o garagista, se mesmo dando seu usado como entrada o consumidor não possuir a contrapartida à vista, as parcelas de um eventual financiamento, feitos normalmente a partir de R$ 2 mil, não seriam tão pesadas. “Tais diferenças resultariam em prestações acessíveis e o comprador ganharia por estar adquirindo um produto mais novo”, salienta Delazari.