08 de julho de 2026
Auto Mercado

Brincadeira de gente grande

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Sexta-feira, dia 16, 9h, em Piratininga (15 quilômetros de Bauru). O que era para ser uma calma e tranqüila manhã, como todas as outras na cidade, transformou-se em uma barulhenta e engraçada distração para os moradores.

Tudo por causa da carroça sonora inventada por um grupo de amigos, pelo segundo ano consecutivo, especialmente para participar da tradicional festa do peão municipal, realizada entre os dias 15 e 18 deste mês.

No breve passeio pelas vias locais, acompanhado de perto pelo AutoMercado&Cia, o “veículo” tornou-se o centro das atenções. Comerciantes, motoristas, pedestres, todos paravam suas atividades só para conferir a origem daquela “barulheira” vinda das ruas. E bota barulho nisso.

Ao som das batidas secas dos raps, os “charreteiros” Oscar, Paulo Eduardo, mais conhecido como Du Galinha, e Betinho, três dos cinco idealizadores da engenhoca (Flavinho e Lequinha não puderam comparecer), conduziam a carroça puxada pelo cavalo emprestado de um amigo sem qualquer cerimônia.

E enganou-se quem pensou que a altura do som incomodou os piratininguenses. Os jovens fizeram tanto sucesso que, à medida que passavam à frente dos estabelecimentos comerciais e calçadas, eram ovacionados com gargalhadas e largos sorrisos estampados nos rostos, em cenas dignas de uma comédia ambulante ao ar livre.

Terminada a apresentação “oficial” do mais novo “veículo” à cidade, era hora de devolver o cavalo ao seu proprietário e voltar à garagem: a oficina mecânica de Paulo Eduardo, local onde a “Lacraia” - nome da carroça escolhido pelos inventores - foi produzida. Ali, os criadores acertaram os detalhes e segredos de sua “criatura”.

A começar pela aparelhagem de som utilizada, avaliada em cerca de R$ 6.700,00. O imenso caixote instalado na traseira da carroça foi especialmente fabricado para acomodar, nada mais nada menos, do que cerca de 6 mil watts de potência, o que por si só já dá uma idéia da capacidade sonora alcançada. “Tenho dó da minha mãe, que é quem tem de agüentar a barulheira aqui na oficina”, ressalta Paulo Eduardo.

E para consegui-los foram necessários cinco módulos de potência, seis alto-falantes de 12 polegadas, dez cornetas, quatro tweeters e um CD player. Além disso, cinco baterias de caminhão para suportar tamanha amplitude “volumétrica” e garantir que o som não pifasse. Tudo isso foi montado, em menos de uma semana, na estrutura metálica da carroça, adquirida por aproximadamente R$ 900,00 pelos jovens.

Sonho de criança

Os amigos também esclareceram ter sido justamente na mesma oficina que um sonho de criança começou a ganhar contornos de realidade.

Paulo Eduardo revela que, quando ainda era pequeno, nem dormia de tanta ansiedade e vontade de um dia andar, junto com os amigos, em uma carroça igual. “A gente levava na brincadeira essa história, mas no ano passado resolvemos construir uma especialmente para a festa do peão”, afirma ele.

O sucesso foi tanto na ocasião que, além de participar do tradicional desfile promovido pelo evento, a carroça efetuou até leilão de gado e propagandas para o comércio local, que se entusiasmou com a idéia. “Por onde ela passa, a pessoa mexe, vibra ou chora de emoção”, garante Paulo Eduardo, rindo.

Exemplo disso é que, em 2003, a própria população já aguardava a construção de outra carroça do gênero. “Todo mundo estava comentando se ia ter ou não, mas daqui para frente pretendemos montar uma todos os anos para a festa do peão”, promete ele.

E se depender do entusiasmo e animação dos jovens, a “Lacraia” vai ultrapassar as “fronteiras” de Piratininga. Paulo Eduardo garante que irá levá-la para participar de campeonatos de som. “E o cavalo vai junto do mesmo jeito”, destaca. E conclui, já prevendo que a carroça tem futuro nessas competições: “Acho que a gente ganha, pelo menos, como trio elétrico.”